Crepe

Existem aparelhos elétricos interessantes para esquentar comidas.
Refiro-me a sanduíches a princípio.
Eu acho bem interessante o famoso Tostex, que também é conhecido como tostadeira, ou sanduicheira.
Tudo isso para dizer que eu adoro o desenho interno do aparelho que faz crepes.
A receita da massa deve ser certeira, perfeita.
Eu pego a jarrinha com a massa na liquidez exata e ela vai escorrendo pelo desenho em favos da crepeira.
Uma camada, um tempo, recheio e outra camada.
O que não tem receita é essa minha vida de ansioso comedido.
Rio porque eu sou comedido mesmo, na medida necessária para não me tornar insuportável.
Desde ontem precisava de um rolo de fita crepe.
Tinha certeza que eu tinha um rolo em casa, mas ele era muito largo.
Depois percebi que esse rolo que tinha em casa não daria nem pra saída.
O objetivo era fazer quatro rolinhos para fixar na parede da sala de aula, cada máscara mexicana que os alunos iriam decorar com cores e texturas.
Fui pedir socorro na coordenação e a maravilhosa auxiliar de coordenação me oferece a única que ela tinha.
Largura e cola perfeitas.
Usei em todas as classes e fomos felizes.
A decoração ficou um arraso.
Usei a fita até ela se esgotar, de tal forma que hoje eu precisaria achar outro rolo na escola.
Andei de setor em setor e nada.
Até chegar no atendimento.
Lá havia um rolo de fita larga que a moça iria usar em seguida.
Quando eu já estava desistindo, sem me apegar a divina providência, ela aparece iluminando o ambiente.
Outra moça abre uma gavetinha e lá estava outro rolo novinho.
Pronto.
Saí de lá para mais três classes com resultados belíssimos.
Cada setor por onde passei fez um memorando pedindo pelo menos um rolo de fita crepe com um e meio centímetro de largura.
Largura e cola perfeitas.
Como é perfeito o entrelaçamento e as conexões quando a alma não é pequena.
A vida é esse caminhar sobre pedras rugosas, mas que a gente caminha confiando, fiando junto, tecendo um tecido com nossos fios transparentes.
Confiar é trabalhar bastante para que não nos encontremos parados num tempo de outrora, porque o tempo só nos inscreve no agora.
É hoje e o fio tenso da pauta de metal é tenso e tensionado, para sermos equilibristas usando a vara do conhecimento adquirido.
Meu conhecimento só me faz andar adiante, olhando o que ainda os meus olhos da alma ainda não perceberam.
Assim fica cravado que eu confio e confio cegamente, usando apenas um mapa interno que me conecta a várias outras antenas que também estão alertas ao confiar.
O tecido é belo, é suave na rudeza da pele dos meus dedos.
Na hipótese de tecermos sozinhos quem iria vestir o manto da partilha?
Os favos da crepeira lembram os da cera das abelhas e seu mel.
Não esqueça que o hexágono sempre tem a ponta para cima nos favos originais.
Este é o sinal.
Aponta para cima


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