Precisos

Eu esperando no ponto de ônibus na Joaquim Floriano.
Passam quatro jovens na mesma calçada e uma menina fala:
Meu pai me deixou quando eu tinha quatorze anos e eu tive que cuidar da vida.
Ter cuidado com a vida é essencial para os batimentos cardíacos e trocas químicas cerebrais.
Saiu para trabalhar e está remando forte e enfrentando os desafios que essa vida única proporciona.
Pensar nessa vida como única nos motiva a colocarmos os pés na estrada que contém esses desafios mundanos, onde as probabilidades de escolhas, perdões, ações do bem e do mal nos abrem muitas possibilidades. Agora, Já, nesse presente absoluto.
As outras vidas fazem parte do misterioso poder que temos de criarmos viagens astrais, roteiros diversos, pensamentos mágicos e crenças nas utopias.
Eu creio em utopias e uso esse remar cotidiano para me aproximar das suas soluções.
Por que me aproximar?
Porque se é utopia, o que mais podemos fazer por ela é nos aproximarmos, chegarmos quase lá.
Dentro do trem do Metrô vejo uma porta inteira com duas imagens do maestro e compositor Heitor Villa-Lobos.
Ontem mesmo ouvi que vários compositores e intérpretes vão se apresentar em novembro no Parque Villa-Lobos.
Você consegue perceber?
O homem se foi e sua obra ficou, inclusive recuperada por esse Projeto Centenário.
A Mostra está na Estação Pinheiros do Metrô.
Ontem eu achei numa caixa de papelão uma pasta rígida e na capa, escrito o nome da filha com a letra bonita do pai.
O pai faria e fez cem anos nesse 2025.
Tratei de usar as linhas das letras para compor um novo desenho.
Esse texto trata disso.
As pessoas estão todas presentes enquanto temos memória e objetos factuais para rememorarmos. Algumas vezes seguimos acrescentando a essas lembranças mais ações que as propaguem.
Propagar as coisas boas é preciso, Viver é precioso


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