Opções

Cheguei na rodoviária às dezenove e seis.
Fui direto no autoatendimento e o monitor anunciou que o próximo ônibus só sairá às vinte horas.
Já sei que será um busão de dois andares e quis comprar a poltrona que fica bem na frente, em cima.
Vista completa do caminho.
Por fome e necessidade de passar o tempo, me sentei na lanchonete do Seu Izidro e pedi um queijo quente.
Pão não tinha, mas tinha um enroladinho de queijo.
Comi com aquela velocidade do ansioso, junto com um pingado delicioso.
Enquanto exercitava a digestão das guloseimas, fiquei observando os guichês de passagens de diversas companhias.
Na parte superior os luminosos indicando Araçatuba, Birigui, Lins, Penápolis, Foz do Iguaçu, Londrina, Maringá e tantas outras localidades desse nosso brasilzão.
Na sala dos professores tive o privilégio de ouvir alguns professores falando de motos de muitas cilindradas, carros que proporcionam alta velocidade e todos planejando novas aquisições.
Fui até um professor que fiquei conhecendo esse ano e sei que ele, assim como eu, não tem essa predileção por veículos automotivos.
Realmente ele me garantiu que a onda dele é outra, mas o que eu quis dizer a ele foi o seguinte:
Imagine Mestre, ser um político responsável por uma cidade, um estado e um país, com tamanha diversidade de pessoas e seus múltiplos interesses.
Os Artistas, os Matemáticos, os Cientistas, os Frentistas, os Ascensoristas e assim por diante.
Nós dois pensamos que deve ser também por isso que esses governantes governam para si mesmos e para seus próximos.
Dá menos trabalho preservar os próprios interesses.
Os bens públicos são públicos e o público é demasiadamente diverso.
Portanto, os mandatários elegem o Muito Dinheiro como guia e vão atropelando o público, como já nos anteviu o Buarque.
Nossa construção é feita de todas essas nuances e cabe a mim construir-me a partir de múltiplas percepções desse universo diverso.
Uma colagem seletiva com tudo que possa ser útil para muitos além de mim mesmo.
Tropeçar nas questões financeiras, mas não titubear quando a razão se apresentar necessária.
Gosto do título A casa da razão mágica, que me coloca como anfitrião da lógica e da almática.
Gosto que tudo em mim transborde e que o sumo possa ser usado para outras construções que estão fora de mim.
O que está fora sempre me é tão próximo


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