Chão


Hoje resolvi caminhar olhando mais para o chão.
Vi tampinhas de garrafa, um pedaço de barbante, uma moeda colada na calçada.
Sei que está colada porque resolvi dar um chutezinho.
Um adesivo de serviço de hidráulica, uma carta de pokemon, um daqueles lacres de latinha, um recibo vencido de loteria da mega sena, uma embalagem vazia de bolacha água e sal e algumas várias outras coisinhas inutilizadas, ou eventualmente perdidas.
Na escola já participei de várias campanhas do Lixo Zero.
Repito que eu prefiro o R da redução no trabalho de sustentabilidade.
Porém, como será possível reduzir numa sociedade de consumo desenfreado?
Sem freio, sem parada, num mundo onde descobriram no meio do século XX o poder de compra de uma criança e logo em seguida, esse mesmo poder vertiginoso da juventude.
Extraordinário o poder dos marqueteiros e a inteligência para o lucro.
Pense que as crianças eram meros nada antes dessa descoberta.
Os que eram apartados de qualquer conversa, ou ensino.
Hoje são os ávidos Consumidores mirins.
Seguimos como zumbis em busca de cérebros objetos e na ausência dessa informação sustentável, continuamos usando o chão como Lixo.
Em qualquer lugar, em qualquer estabelecimento, em todos os cantos possíveis e impossíveis.
Eventualmente sabemos dos riscos que o Nosso Planeta está correndo frente a esse tipo de negligência.
Ops! Equivoquei-me.
O Nosso Planeta não.
Nós nesse Planeta Magnífico.
O Planeta sobreviverá quando estivermos dizimados e restarem apenas os sem nenhuma filosofia.
A Flora e a Fauna, seres vivos que permanecerão vivos e observando uma enxurrada de ramas de batata doce.
Todos encantados com aquela flor pequenina, branca e lilás e todo aquele verde intenso cobrindo a terra.
Não é o mundo que é cruel.
Crudelíneos somos nós, insanos mortais com a arrogância da imortalidade, etérea ou objetiva.
Tenho uma sacolinha preta que ganhei  na loja onde comprei meus tênis.
Guardei a tampinha, o barbante, o cartão de visita, a carta, o lacre, o recibo da loteria e a embalagem das bolachas.
Quando chegar em casa colocarei no saco plástico vindo do supermercado, que serve de Lixo para recicláveis.
Eles dizem que aqui no bairro passa o caminhão especializado.
Eu continuo acreditando, já que nunca o vi, mas sou decidido em não Reduzir a minha esperança.
Eu, esse egoísta e consumidor não compulsivo esperando meu próprio perdão  

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