Automóvel
Ontem peguei meu carro na oficina.
O meu automóvel mais famoso é o Fiesta 98.
O Classic saiu do conserto pianinho, suave e macio.
Um brinco.
Ontem mesmo, na oficina, conversei com meu amigo mecânico e disse a ele que havia amanhecido com o pensamento de fazer um orçamento para reparar um pequeno amassado no capô.
Porém, afirmei a ele e ele consentiu com a cabeça, que se eu reparar esse amassado o carro perderá a minha identidade.
Rimos de sagacidade e divertimento.
É verdade.
Um carro brilhoso, sem nenhum sinal de abalroamento não pode ser meu.
Tudo isso me alertou para o seguinte:
Andei com o Classic com o câmbio perfeito e os amortecedores também.
Achei bom, mas quanto aprendizado eu ganho quando está tudo desalinhado.
Ter que me adaptar à entrada da primeira marcha e aproveitar e já sair de segunda, quando estou na descida.
Aprender que quanto mais devagar eu passo por valetas, mais barulho a suspensão faz e por aí vai.
Foi.
Aprendi que eu sou muito certinho e essas avarias me ensinam que nada é perfeito e quando quase são, o certinho esquece e começa a passar voando pelas lombadas, esticar as marchas sem noção e seguir em frente.
Rio porque daqui a pouco esse pra frente passa a ser pra trás.
Calma, preciso de mais cuidado, mais atenção aos desconfortos do automóvel.
Ontem tive duas experiências com pessoas que agora se posicionam contra os políticos, mas quando começam a falar fazem a maior confusão e nada de prático muda nas nossas vidas, muito menos o caminho de partida e de chegada.
Eu fico apenas respondendo com onomatopeias:
Ah, uou, ZZZ
Faz tempo que ando sem paciência com esse tipo de pessoas sem argumentos, ou melhor, com argumentos totalmente confusos, que me levam apenas de volta à sala de aula, ou para a rodoviária.
Quando coloquei a foto do meu Classic 2013 no Instagram, o povo quase chorou a perda do Fiesta 98, sem pintura, sem maçanetas e com vidros rachados.
Cuido muito mais da água e do óleo do Classic.
Ele saiu da oficina lavado.
Eu adoro reusar materiais diversos e hoje o pessoal achou sensacional a ideia da caixa de materiais.
Assemblagem de papéis e resíduos achados no meio da rua.
A Caixa desse ano já é a décima segunda Caixa.
Elas começaram a ser criadas a partir de 2013.
A minha vida é essa.
Uma assemblagem de coisas reutilizadas e pessoas amadas em profundidade
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