Tenhamos
Eu tenho Cartão digital, Carteira de trabalho, Carteirinha do SUS, Carteirinha da Unimed, Carteira Nacional de trânsito, tudo digital.
Na semana passada baixei o app do RG digital.
Ali descobri que ele só aceita RGs feitos a partir de 2014, que hoje é chamado de Carteira de identidade nacional, CIN.
Soube que precisava agendar uma data e um horário no PoupaTempo, levando a Certidão de nascimento original.
Marquei para hoje às Quatorze horas.
O horário foi rigorosamente respeitado, mas eu cheguei vinte e cinco minutos adiantado.
Perguntei para o moço onde era o setor e ele me disse para ficar sentado no setor azul que a mocinha iria chamar no horário.
Quando ele me disse para esperar sentado já me deu faniquito.
Rio porque saí rodando pelo espaço e descobrindo os guichês de atendimento.
Voltei e quando me sentei, próximo às14hs, a mocinha veio chamar.
Porém, ela chamou e nós perguntamos:
Quem?
Ela respondeu:
TODOS.
Saímos todos correndo para a fila da recepção.
Aí descobrimos que era li que pegaríamos a senha.
Foi rápido, a menina nem precisou pedir e eu já fui apresentando a minha certidão de nascimento.
Levei também meu RG antigo.
Foi a sorte, porque ela pediu os dois documentos.
Porém, ela me perguntou:
Onde estão as cópias?
Nem respondi e saí correndo do prédio para fazer as cópias ali fora.
Em dois minutos paguei dois reais pelas cópias e voltei.
Ela me perguntou a idade e eu disse que tenho 66 anos.
E eu mesmo disse:
É preferencial, né?
A senha foi P6077 e o P é de preferencial.
Rio porque os idosos têm poder.
Com a senha me dirigi aos assentos para esperar ser chamado.
Em um minuto fui parar no guichê 7.
Ali eu já fui apresentando os dois documentos e as cópias.
O moço já foi digitando, digitando até que em dado momento ele me pergunta:
Você é casado?
Eu disse que sou separado judicialmente.
Ele me fala que apareceu pra ele na tela do computador.
Pronto.
Antes que ele me falasse algo mais eu disse:
Não vai me dizer que eu preciso trazer à certidão, sendo que você a está vendo?
Ele disse que sim.
Num gesto espontâneo e repentino eu puxei os documentos e as cópias da mesa.
Ele parecendo não entender me diz:
O senhor não quer que eu remarque?
Eu disse megaeducadamente:
Eu desisti, não preciso fazer minha CIN, eu já tenho o meu RG.
Rio porque fiquei imaginando que na recepção, a moça já deveria ter me informado que estava faltando a certidão de casamento.
Saiba que para essas coisas eu só tenho das 14 às 15e30hs na terça-feira.
Enfim, meu PassaTempo, aconteceu no PoupaTempo.
Passar o tempo é algo que me fez lembrar uma fala acontecida ontem, falada pelo maravilhoso Caetano Veloso.
Ao ser perguntado sobre a morte e o que está além dela ele respondeu:
Eu não curto muito essa história do além de se estar vivo.
O que está vivo morre.
As ideias que a cabeça tem do corpo só acontece quando se está vivo, depois se você está morto, você não vive.
Isso me levou a pensar que o pós morte só interessa para os que ficam.
Os vivos.
Todas as filosofias, as ideias, os produtos das ideias são para os que ficam, elocubrar, tentar desvendar, usufruir, etecétera.
Os vivos produzem canções, poesia, mercados, cafeterias, lojas de calçados, produzem prédios, reformas de casas e apartamentos, corrigem dentes, descobrem vacinas, costuram botas, enfim.
Produzem.
Depois de algum tempo variável, morrem.
Para o vivo produtor, acabou, ou acabaram essas ideias e afirmações próprias dele, que era vivo.
Agora suas produções ficaram para os outros.
Chico Cesar ao observar tantas gravações Ao Vivo, resolveu nomear um disco:
Aos Vivos.
Viva a ideia.
Adoro Títulos.
Minha ex aluna escritora e consultora de projetos na área de informatização, escreveu um livro cujo título é Tikk, uma amizade além da conta.
Outro título genial, já que além da amizade gigante, o livro propõe exercícios com números e contas.
No PoupaTempo aprendi várias coisas e vivo por isso.
Ao entrar na academia um casal de ex alunos veio me cumprimentar.
Na época da escola nem se falavam e agora se reencontraram e vão casar.
Saindo do PoupaTempo recebi um currículo de uma ex aluna que deseja trabalhar no colégio.
Ela é formada em Design gráfico, mas está querendo juntar um dinheiro com algo fixo.
Pode ser até recepcionista, por exemplo.
Todos estão vivos e experimentando sensações que são vivenciadas na rudeza do mundão, mas que pode ser pelo menos um pouco mais leve.
Leve a vida leve é um bordão de várias propagandas de produtos que vão de água mineral a sabão líquido.
Por tudo isso, Viva, para que de algum modo possamos fazer uma história.
Contadores de histórias vivem fazendo piadas da própria existência e eu Rio, afinal sou contador além da conta e das contas do colar.
Vai que cola?
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