Lugares

Eu sou alérgico à caixas de papelão embora adore o papelão.
Não quero fazer um papelão como a gíria, mas adoro o papelão material.
Inclusive tenho uma ideia que ainda não saiu da cabeça que é fazer com os alunos um painel figurativo só com restos de papelão.
Há muito tempo fiz até um protótipo onde montei um olho com pedaços de caixas velhas.
A alergia passa voando, afinal aparecem uns riscos vermelhos nos braços que desaparecem rapidinho.
Ali fora está chovendinho.
Falei do papelão porque acabei de embalar quatro caixas que ficaram bem pesadas, recheadas com discos de vinil.
Dá um trabalho emocional doar, ou mesmo jogar no reciclável um acervo desses.
Fiquei imaginando inclusive as emoções vividas por todos enquanto ouviam uma determinada canção, enfim.
Um dos aprendizados mais interessantes que eu tive na vida foi me oferecido por uma amiga professora de matemática.
A racionalidade da emoção.
A proposta da escola era que um professor por semana, na reunião pedagógica, trouxesse uma realização artística para debatermos.
Naquele dia a professora trouxe um CD e colocou no aparelho.
Antes de colocar para tocar ela nos disse:
O que vocês vão ouvir, na primeira vez que eu ouvi eu chorei copiosamente.
Na segunda eu não senti absolutamente nada e na terceira ouvi sorrindo.
Pronto.
Começamos a ouvir uma poesia do Vinicius de Moraes declamada por ele mesmo.
A experiência que eu tive foi de satisfação por ter aprendido o seguinte:
Cada vez que fruimos uma obra artística, dependemos do nosso estado de espírito para nos emocionarmos a partir do sentimento que ela nos provoca.
Senti a partir da poesia, muita beleza no entrelace das palavras, mas naquele momento eu estava com algum problema externo e a minha emoção travou.
Em outro momento onde estive alegre e bem disposto a minha relação com a obra mudou radicalmente e me pus a chorar emocionado e feliz.
O ser humano é essa máquina sensível e perceptiva.
Máquina inimitável que se transporta e transforma observações em ações contundentes.
E essa contundência depende também do estado físico, além do emocional.
Eu me proponho sempre mais e com agilidade.
Outras pessoas são mais suaves, às vezes lentas, mas o que importa são as realizações.
Ir além do imaginado e saltar sobre os limites dos obstáculos.
Um amigo irmão discordava da expressão: Cada um tem seu tempo.
Não sei se a opinião dele hoje é outra.
Penso que existem coisas que precisam ser feitas e precisam ser feitas com rapidez.
Já aprendi que nem todas as coisas precisam de tanta pressa, portanto, eu hei de saber equilibrar e chegar a um auto senso que será bom para muitos.
E assim como ontem, calçado, com meias, calça e uma camiseta eu sigo vivendo de boinha.
P.S.- Hoje eu não esqueci da cueca

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