Crono logicamente

A condição do tempo é fria.
Levantei com sensação térmica de sete graus.
No relógio nove.
Dormi com o meu gorro cinza afundado na cachola.
Cobri até os olhos.
Dormi bem e acordei buscando um conjunto de mini pães na manteiga com um café com leite quente na caneca.
Terminadas as guloseimas fui ao banho pelando.
Esturricando de quente.
Não sairia dali jamais, não fosse a necessidade de ir para a escola.
Hoje foi dia de levar os alunos para a biblioteca e participar do projeto Pratas da Casa.
O projeto leva Autores Sorocabanos para uma apresentação dos livros e um debate.
Justamente hoje a convidada foi a ex aluna e mãe de alunos gêmeos, menina e menino.
Formada em informatização e trabalhando com projetos nessa área, ela escreve livros independentes.
Escreveu dois livros e o primeiro tem um titulo sensacional que é: Uma amizade além da conta, indicado para alunos do terceiro ano.
Quando ela disse o nome eu já logo fiz a relação com a lógica matemática.
Realmente o livro, na amizade entre Tikk e José, provoca exercícios matemáticos, além da amizade que vai muito além da conta e das contas.
O livro conta que o apelido Tikk vem da língua norueguesa, na qual matemática é Matematikk.
O segundo é o: Eu te dou os meus sapatos, que trata das relações entre todos nós, que somos diferentes e precisamos, vez ou outra, usar os sapatos do outro para exercitar a empatia.
O primeiro foi manuscrito por ela un pouco antes das férias de julho, para que os filhos lessem alguma coisa e exercitassem a lógica e a criatividade.
No debate de hoje eu disse aos alunos que observassem a importância de termos em casa e na escola incentivadores da curiosidade e da criatividade.
Falo da questão do oferecimento de ferramentas e exercícios que motivem a observação curiosa, que vai além do limite retangular da tela, chegando aos veios do tronco, a rachadura do concreto, a mancha de tinta no chão e todos os outros detalhes que nos permite ver nas entrelinhas da observação.
Entrelinhas foi a palavra usada pela amiga bibliotecária.
Ler nas entrelinhas, nada mais é do que fazer aquelas relações entre o conhecimento que temos de uma palavra com outra, partindo das memórias que temos  de ambas.
Memórias vivenciadas e apreendidas.
Eu precisei conhecer a expressão além da conta, que significa muito além e relacioná-la com as continhas da matemática.
Se eu não conhecesse uma das expressões eu não conseguiria ler nas entrelinhas.
Aquele espaço fino que há entre as informações escritas e faladas.
O conceito é esse.
O amor que vai além da conta, soma e multiplica o eu e o você.
O resultado da multiplicação é o Nós.
Todos nós, que temos a leveza e a elegância de oferecermos os nossos sapatos e principalmente calçarmos os sapatos dos outros que são menores que os nossos.
O maior também causa desconforto, mas também é preciso que os calçemos para que possamos ter uma experiência emelhante à daquele que é o dono daquele sapato.
E aqui não cabe o gostar mais ou menos.
É seguir adiante no enfrentamento das questões com objetividade e gentileza.
Aqui eu lembro da frase do Che: Há que endurecermos sem perdemos a ternura.
Aqui a temperatura já subiu, elevando-se a um nível de ação contundente e firme.
Ao cumprimentar muitas pessoas desde às sete da matina, todos se repetiam:
Nossa, que mãos quentinhas.
Depois que eu acordo, todos estão de acordo que a minha eletricidade é incandescente.
Não se esqueçam que os aquecedores são ligados às tomadas.
Fui tomado pela consciência

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