Cometas
A Viação Cometa e suas surpresas.
No domingo passado as dez máquinas de autoatendimento não funcionaram.
Hoje, a segunda funcionou, mas a principio achei o horário estranho.
Doze e seis, plataforma 3.
Na plataforma 3 estava parado o ônibus das doze horas em ponto.
Iria esperar o último passageiro entrar, mas a última passageira também era para o busão das doze e seis.
Ela perguntou e o motorista respondeu:
Esse é na plataforma 1.
Fiquei na fila, apresentei a passagem e o motorista depois de dar uma olhadela para o bilhete me disse sorrindo:
Esse vai demorar um pouquinho pra chegar.
É via Castelo Branco, porém vai deixar gente em Araçariguama e em São Roque.
Eu ia escrever sobre os pais, os homens e tals, mas a Cometa sempre me reserva surpresas.
Já são doze e sete.
Rio porque a minha fase Zen é maravilhosa.
Do que adiantaria eu me desesperar no domingo da minha comemoração?
Sou pai de duas figuras memoráveis, que nas suas diferenças amam profundamente e eu os amo essencialmente.
Eu subo escadas com caixas de papelão pesadas, eu coloco veda-roscas e encaixo chuveiros e chuveirinhos, arrumo fios destroçados de ferros de passar roupas, instalo tomadas com miolos e espelhos, passo massa nas paredes com buracos de buchas e parafusos, faço buracos com a furadeira para pendurar quadros e estantes, enfim.
Segundo a Di, guerreira da caça, eu faço coisas de homem.
Ontem, ao almoçar com três mulheres, o assunto girou em torno da Ajuda dos homens nas tarefas de casa.
Foi visto na Internet que algumas pensadoras não acham certo o verbo Ajudar nesse caso.
Eu acho apenas uma questão semântica.
Hoje me parece claro que os homens e mulheres se ajudam mutuamente.
Não existem lugares, ou ações específicas de ambas as partes.
Também é claro que não sou ingênuo em pensar que está tudo correndo as mil maravilhas para as mulheres que foram subjugadas por séculos.
Porém, é visível que ao meu lado, um pai está com seu mini filho no colo, o levando para casa de ônibus.
Esse é um pequeno detalhe, não sei a história do pai e do filho, mas é um acontecimento contemporâneo.
O que vou colocar agora nada tem a ver com gênero, mas com uma visão etária:
Anteontem uma mãe falava que sua filha adolescente não conseguia entrar na ideia de sofrimento do povo preto, porque o melhor amigo dela é preto.
Ela não consegue levar o pensamento histórico da época da escravidão, por exemplo.
Apesar da mãe apresentar o tema ela não consegue alcançar a ideia.
A conversa aconteceu no consultório da dentista.
Saí de lá e mais uma vez fiquei pensando na expressão Conflito de gerações.
Não é um conflito bélico, mas uma diferença de percepção mesmo.
Começa pela maturidade, mas você dirá:
Na minha época eu tinha noção dos acontecimentos do passado e suas implicações no presente.
Pode até ser, mas hoje quem me lê normalmente tem mais experiência de vida.
A menina em questão ainda vI amadurecer, mas como educadores poderíamos ajudar a agilizar esse processo.
Na escola, em conversa com os amigos professores de História e Geografia eles estão falando sobre essa dificuldade que os alunos têm de moverem-se mentalmente e sentimentalmente para situações de sofrimentos passados, como a escravidão, ou o holocausto, por exemplo.
Eu, na minha simplicidade disse a mãe que provavelmente seria interessante para os jovens fazerem trabalhos solidários e voluntários nas comunidades menos favorecidas.
Acho que eu estou certo e vou propor às escolas essa prática pedagógica.
A escola é o lugar apropriado para sairmos dos debates e nos colocarmos ao serviço de superarmos as avaliações e partirmos para realizações observando a diversidade.
Eu sou um pai e avô privilegiado e me coloco ao serviço que vai além de colocar pregos de aço na parede.
O verbo ajudar vai além dos gêneros e da questão etária.
Ajudar é precisamente o que é preciso.
O último verso do jingle antigo que fiz para a escola diz:
Eu quero ser mais do que ter e enxergar em Nós sempre muito mais do que apenas Eu e Você
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