Nescau
Ledo engano.
A destruição da entrada do prédio continua e agora com mais maquinário pesado.Ao invés de vidros colocaram tapumes de alumínio para que os transeuntes tenham mais surpresas quando a reforma acabar.
Eu também sou transeunte, é claro.
Ando em trânsito e transito pelas mais variadas linguagens.
Sou um dos que ficarão surpresos com o estabelecimento de uma nova loja enorme no andar térreo.
Surpresas sempre me aparecem quando estou pensando em situações da sala de aula.
As minhas aulas falam sobre as coisas artísticas.
Já mencionei que gosto de Motes e no Colégio eles são apresentados em oito capítulos durante o ano.
Na semana que vem o oitavo ano começa a encarar a Pop Arte e o nono ano a Eco Arte.
Arte popular ancorada na ideia do Andy Warhol, que foi o primeiro que pensou que se colocasse uma lata de sopa popular vendida nos E.U.A. numa tela, ninguém jamais colocaria a obra na sala de estar.
Ledo engano.
O Mercado tratou logo de absorver os produtos.
Frans Krajcberg lutou pela Serra e sua floresta usando os restos das queimadas para produzir suas obras.
Até construiu uma casa na árvore para melhor poder proteger a mata.
A Arte ecológica é mais um protesto contra desmatamentos, excesso de lixo, busca por Reciclagem, Reutilização, mas principalmente pela Redução do consumo.
Uma redução que funciona mais como uma Utopia, já que somos consumistas insaciáveis.
A Arte popular brasileira está muito alicerçada nos artistas primitivistas, ou como no francês, Art Naif e seus temas da vida popular cotidiana.
Todas essas vertentes estão vinculadas ao consumo e portanto, atreladas ao mercado, assim como quase tudo que acontece no nosso planeta.
Esse planeta único que precisa urgentemente da nossa ajuda.
Quando acabei de escrever essa frase eu me lembrei daquela historiazinha do beija-flor, que ia pegando com seu biquinho longo uma gota d'água e ia jogando no incêndio devastador da sua floresta.
Ele estava fazendo a parte dele.
Como escrevi outro dia estou um pouco cansado dessas nossas histórias cheias de blá-blá-blá, já que as contadas pelos poderosos são mais curtas e destruidoras.
Que eu devo fazer a minha parte eu não tenho dúvida e vivo pra isso e mais algumas coisas boas.
Parece que a única solução é eu não ficar pensando nessas catastróficas atividades mundanas e nem me atendo aos tais veículos de comunicação.
Acabei de ver uma série sul-africana cuja temática tem tudo a ver com isso.
O Sistema e sua proposta de salvar o país e de preferência, de quebra, salvar o mundo.
Porém o que realmente acontece?
Matança, mortes e mais mortes por assassinato.
Tudo em nome do progresso fortunado egoísta, seja meu, da minha família, dos meu amigos, da minha cidade, do meu estado, do meu país, ou seja: Os Outros que se explodam.
Você consegue perceber que estou um tanto cansado dessas histórias que contamos até pra nós mesmos.
O meu gosto é adorar quiabo feito de todas as formas.
Descobri essa guloseima só depois dos cinquenta e cinco anos.
Veja que eu ter tido essa experiência de aprendizado é mais um item na conta do meu egoísmo sistêmico
Comentários
Postar um comentário