Sóis

O sol reparte em crimes, espaçonaves, guerrilhas.
Verso Caetaneado que refere-se ao fato da mulher dele trabalhar no jornal O Sol nos anos sessenta.
Não sei porque o Sol na banca de revista o encheu de preguiça, mas com certeza ele sabe porque lhe encheu de muita alegria.
Quando o segundo sol chegar é o pedido de desculpas do Nando para a querida que falou sobre assuntos esotéricos com ele e naquele instante, ele deu de ombros.
Em pequenos erros todos temos a chance de sermos sóis, embora de vez em quando pareça só chover na mente da gente.
Me chama, me chama, me chama.
Em Cardinales bonitas, minha mente é levada direto à cena do maravilhoso filme: Era uma vez no Oeste, quando a Claudia abre aquelas portinholas do Saloon e nos pega de arrebate com a sua entrada triunfante.
A querida não gosta de margarina e no frio deixa a manteiga fora da geladeira para que não fique duríssima no café da manhã.
Chove lá fora e aqui tá tanto frio, porém estou vestindo meu casaco impermeável que ganhei de presente.
A super adolescente Max, na série da mãe e da filha, apaga a luz do quarto e começa a descer a escada.
Volta, acende a luz de novo, diz que se não fizer isso alguém da família vai morrer.
Novamente apaga a luz e mais uma vez desce a escada.
Fosse na vida real ela voltaria novamente, novamente e novamente.
Rio porque faço o mesmo e totalmente consciente.
Tão consciente que muitas vezes não faço e tudo continua na mesma toada.
Não sei para os outros Toquistas, mas para mim é uma espécie de processo artístico.
Rio porque não só a minha calça é esfarrapada.
Já escrevi aqui, mas repito.
Achava que o meu pai amado quando Tocava nas coisas chegando em casa, o fazia porque ele tinha Toque.
Porém, é TOC e não Toque.
O tal transtorno obsessivo compulsivo.
Rio porque o Roberto e o Jô voltavam muitas vezes para ver se haviam fechado a porta do carro.
Roberto fazia coisas mais bizarras, mas não tem importância.
Isso é muito pessoal.
A compulsão que considero ser a mais legal é pensar e realizar Arte Sempre.
E mais e mais e mais, vinte e quatro horas por dia.
Rio porque ser artista atrai iguais.
A querida estava fazendo exercícios de Pilates no presencial com todas as pessoas deitadas, olhando pro teto e ouviu, de leve, uma senhora falar:
Eu vi um elefante.
O teto do estúdio é feito com um material que provoca muitas manchas contrastantes.
A instrutora logo diz à querida:
Não ligue, ela viaja.
No ato a querida responde:
Você sabe que eu também viajo, não lembra que online eu fazia todos os movimentos com os olhos fechados?
Era só Viagem, minha filha.
Só?
A instrutora sela a frase dizendo:
Eu só vejo um teto com manchas.
Pronto.
Está dito e feito.
Eu sou um ótimo ouvinte.
Tenho o mal costume de ouvir a conversa dos outros, rs.
Um casal jovem está muito perto de mim no trem do metrô.
O moço pergunta, após a moça não entender porque ele não queria lanchar na casa dos amigos mais velhos:
Nós não somos um casal?
A moça rebate: Você tem que entender que eu tenho um carinho muito grande por eles.
Eles não são meus pais, mas é como se fossem.
Bom, se o moço não está conectado com essa sensibilidade, o que fazer?
Fiquemos em paz.
A instrutora e a maioria das pessoas não entender o que leva alguém a ver figuras nas manchas não tem a menor importância para quem vê, já que isso não faz com que os visionários tenham nojo, asco, ou preconceito contra os que não vêm.
Só um palpite:
O moço não estar conectado com a sensibilidade da moça é grave, mas isso é só o meu palpite.
Como já escrevi muitas vezes, o maior prazer dos seres humanos é dar palpites.
Prova do nosso egoísmo, afinal o palpite é prazer pra quem oferece. Quem recebe não usa, fica desconfortável e muito menos dá ouvidos.
Antes era apenas uma brincadeira e foi crescendo, crescendo, me absorvendo.
Apesar desse verso do Peninha, no meu caso, acho que nem era antes.
Desde sempre a minha criança vive de brincar seriamente


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