Passos

É muito instigante abrir uma página do note e não ter uma ideia  na cabeça que possa virar em texto.
De repente as palavras vão reaparecendo numa espécie de necessidade absoluta.
Passo a passo elas vão surgindo, saídas de uma espécie de paraíso esotérico.
Talvez não tão esotérico assim.
A cabeça maquinando em busca de um conjunto que faça sentido.
A minha cadência e acúmulo de frases, uma hora acabam por ter começo, meio e fim.
Assim começo pela ajuda das memórias que fui adquirindo com as várias situações por mim vividas.
Estou de frente para um aparelho de TV e ele mostra um pedido de ajuda dos Médicos sem fronteiras.
Eu colaboro faz alguns anos.
Não há como médicos que trabalham nesse projeto serem médicos sem talento.
Um talento nascido no cuidado com os outros na perspectiva dos muito necessitados.
Não é como a minha necessidade de escrever, essa é de outra esfera.
É vontade de aventurarem-se no profundo sofrimento do outro e na TV, os outros são na maioria crianças desnutridas, que passam fome e sede e não têm força para andar ou mesmo levar uma colher à boca.
A necessidade de se aproximar do outro que precisa de carinho, afeto e zelo, mas principalmente de comida.
Sei que ouvi ontem o Carl Seagan falando ao senado norte-americano e citando números gastos pelo país na época da guerra fria.
Disse que a expectativa do governo norte-americano era que a Rússia invadisse os EUA.
Nunca aconteceu e trilhões de dólares foram gastos na indústria bélica.
Não adianta eu fazer essa citação, porque vão argumentar que é assim mesmo que acontece e temos que fazer investimentos para viver em Marte, afinal estamos acabando como a nossa Terra e será inevitável termos que fugir para outro canto.
Mas Marte?
Mais dinheiro que se esvai em crendices dos alguns que são neuróticos compulsivos.
Eu vivo com a cabeça na lua, porém essa lua deve estar lincada com a Terra e não só no que vale para as marés.
Essa lua tem nome e sobrenome, além de estar além da poesia e da filosofia.
O nome é pensamento acelerado e ele põe a lua pra trabalhar como no clipe da música do Frejat.
Meu mundo da lua é esse, onde eu pedalo e escrevo, projeto e realizo.
Não é como pensar na morte da bezerra, mas esse pensamento também faz algum sentido.
Se a bezerra morre não teremos o leite de amanhã e já me preocupo com o leitinho das crianças.
Aquela ocupação que não deixa que eu falte com o trabalho e a energia para gerar condições de alguma sobrevivência financeira.
Sei que gasto vida para essa produção, mas até nisso fui abençoado.
Faço o que amo para adquirir esse grana e assim a minha vida é essa.
A que amo.
Desenho, pinto e às vezes bordo.
Porém você sabe que o que mais amo mesmo é compartilhar essas expressões e facilitar que outros possam seguir essa sina adorável.
Poderia escrever sina amorosa e até acho melhor.
Amor de uma química ainda por mim desconhecida no sentido científico, mas que sei que existe e está funcionando até o fim dos tempos.
A monja disse bem que ninguém perde ninguém.
Tanto disse bem que ontem ao abrir a pasta de fotos encontrei a dona K e a dona Anna sorrindo para mim como sorriem nas crônicas.
Cronos, o deus do tempo dá o nome da cronologia.
Partem para algum canto muito além de Marte, mas o que sei é que não saem de mim por nada.
E assim Zé Cláudio, meu querido amigo de Ensino Fundamental que imprimiu em mim o som progressivo e o Rock and roll.
Desenhava como poucos mas cursou engenharia.
Deixou a sina para a filha e eu com a memória.
Assim como vários outros encantadores e encantadoras da minha memória corajosa.
Sabendo que a coragem é a Ação do Coração, que aprendemos Decor, de Coração e com o Coração.
É instigante chegar ao fim de um conjunto de palavras tendo buscado uma colagem de assuntos.
Carl Seagan não está mais entre nós.
Não está?
Como é que ele veio parar nesse Texto?
Só o seu Tempo dirá

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