Seguindo a escrita

Hoje pela manhã resolvi começar um texto e de repente não consegui parar.
Tudo bem que terminei de escrevê-lo a cinco minutos.
Hoje me contrariei, fiz meia hora de bike e agora estou num aparelho para pernas.
O que importa mesmo é que no final pretendo pedalar mais trinta minutos.
Penso que resolvi escrever novamente para reforçar em mim a questão da disciplina.
No meu caso tem a ver com a ideia de condicionamento.
O corpo e a mente ficam preparados para o que vier a seguir.
Claro que penso na canção do Zé Rodrix que prega a Casa no Campo, onde podemos ficar do tamanho da Paz.
Penso que o tamanho da paz é bem pequeno quando nos colocamos nesse nosso modus vivendis, que é o nosso modus operandi.
Quando é que alcançaremos a paz que tanto almejamos?
Prefiro acreditar nos momentos, nos instantes de troca e combinações com alguém que acabei de encontrar na calçada, afinal com aqueles que eu convivo eu vivo quase sempre momentos de risadas e uma paz alvoroçada.
Juro para você, um moço aqui do meu lado me ofereceu o lugar dele no aparelho e eu disse:
Obrigado, eu estou esperando lugar ali na bicicleta.
Ele me disse que o pedal do lugar que eu estou esperando sentado está com a borracha quebrada.
Pronto.
Não paramos mais de bla, blá, blá e conversa vai, conversa vem.
Rio porque é a primeira vez que fico esperando vagar um aparelho.
Estou aparelhado para esperas.
Uma cadeira pode significar espera, um vagão de trem, um carrinho de supermercado, uma placa de trânsito, um semáforo, uma porta fechada, também podem significar.
São signos, sinais que fazem parte do código que conhecemos desde o nosso nascimento.
Corro como um lince que é o felino com a visão mais apurada.
Nunca tenho visões, ou premonições, o que tenho é vontade de me comunicar através do que ainda ninguém viu.
Continuo impressionado com a criatividade dos roteiristas de filmes e séries televisivas.
Adoro ficar pensando nas reuniões entre o criador da série e os Ghost Writers.
Os roteiristas que escrevem os diversos capítulos, sendo que em muitos casos são dez escritores, sendo que cada um escreve um capítulo.
É uma criatividade avassaladora e no final tudo se encaixa.
Quando não se encaixa a gente se condiciona a até achar graça.
Ontem por exemplo, se a neve tóxica cai e a pessoa que a recebe na pele é morta instantaneamente, porque o pessoal que está dentro da casa coloca placas de madeira deixando vãos imensos entre uma tábua e outra?
Na minha modesta opinião só fechem as janelas e já está ótimo.
Rio porque o que é ficção científica acaba sendo Terrir.
Escrevendo penso que talvez as janelas abertas vão expor demais os vários corpos espalhados pelo chão coberto de neve.
Dentro da casa, quem quiser vem essas cenas terríveis pode ver pelos vãos das tábuas, em proporções menores de horror.
Pronto.
Você lê esse parágrafo e com certeza pensa:
Esse sujeito está tirando com a minha cara.
Essa expressão é incrível, já que é uma abreviação do Estar tirando uma com a minha cara.
Caríssimo leitor, caríssima leitora:
As possibilidades são várias e eu não descarto aquela que me coloca como um doidivana.
O Arnaldo Baptista escreveu que diziam que ele era louco por ser do jeito que ele era.
Faz tempo, mas ele continua do mesmo jeito.
Somos Mutantes

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