Pausa
De repente me vi no semáforo olhando para um ponto fixo.
Minha música é intuitiva, mas reconheço uma pausa na partitura.
A pausa pode ser longa para a orquestra inteira e pode ser mínima para cada instrumento.
Noventa e oito notas são muitas notas, mas sempre a música pede mais.
E a gente gostaria que a ópera durasse bem mais.
Muito mais.
Durante os atos, a senhora recalculou até uma conta feita de forma equivocada pelo governador.
Depois de ver e rever a maestria da senhora calculadora, o governador se rendeu e a parabenizou.
Na Caixa ela sempre foi fora da caixa, no sentido que a caixa tinha que ser sempre maior, ou aumentar de tamanho, já que saiu de lá aposentada no cargo de chefia da contadoria.
Qualquer caixa que supunha que ela coubesse, ela dava um jeito de ampliar.
Antes de tudo isso, exercitou seus cálculos com o pai, mercador de tecidos.
A régua de madeira ainda existe, mas seus números anunciadores das medidas já se apagaram.
Arranjar e equilibrar vários tipos de flores e pequenos arbustos é mais um atributo da senhora. Sensível mulher que deu sentido e significado aos arranjos que brotavam em vasos muitas vezes confeccionados por ela mesma.
Existem alguns ainda guardados esperando o bom senso da decoração de ambientes, sendo que dois deles podem ser vistos na estante da Taba da Tabapuã.
São peças fortes, esmaltadas, que vão além da decoração e atingem o patamar da Arte.
A cabeça lúcida de uma lucidez digna de profunda Luz.
Lúcida.
Reluzente.
Escrito assim parece até exagero, mas não.
Uma cabeça pensante que arruma círculos coloridos de diversos diâmetros em três hastes verticais, de forma que os maiores fiquem embaixo e os menores se encaixem até em cima.
Tetris, peças que vão caindo da parte de cima da tela e vão se encaixando até que ela tenha batido o recorde.
Palavras cruzadas, caça palavras e Sudoku.
Mestra em horizontais, verticais e diagonais.
Interessante notar que nesses dois últimos prazeres a base são quadrados.
A máxima: Cada um no seu quadrado não se aplica à senhora.
Cabeça ocupada com cada quadrado humano da família, que sempre faz festa quando ela está capacitando o ambiente.
A oração do Natal é sagrada naquilo que o sagrado tem de fé e esperança sempre renovadas.
Pausa.
Uma síndrome como a da Covid 19 foi um reforço da paixão pela vida e o ar foi entrando nos pulmões de forma triunfal até que ela recuperasse o fôlego e reiniciasse a fase do vídeo game.
Um game atrás do outro para essa senhora Matriarca, onde as fases são suplantadas uma a uma.
Pausa.
Enquanto o fagote toca uma frase a tuba está pausada.
Enquanto a percussão soa, os violinos silenciam.
É a cadência da senhora.
Um jardim dentro de casa que estampa o vidro grande que dá para a sala de jantar.
Outras plantas são distribuídas em vasos maiores e menores, colorindo o corredor.
Num dia de sol saímos com ela na cadeira de rodas pelas ruas de São Paulo, atravessamos a Paulista, pegamos a Alameda Santos e ela paralelamente ao meio fio ia nos guiando.
Sim.
Ela é Guia.
Mostra o caminho em gestos e palavras, atos sem omissões.
"Essa moça não poderia dar risada. Ela fica muito feia rindo."
" Olha o cabelo dessa moça? Será que ela acha bonito?
Sem omissões.
Fala na lata e na lata é aquela batida cincopada do Olodum, que é pra gente ver se tomamos tento.
As viagens com a amigas renderam bons vinhos e visitas às maiores fazendas do Sul do país e outros recantos.
Dali vieram blusas de frio, que talvez de alguma forma, a inspiraram a fazer em crochê várias mantas sensacionais.
Se na metade ela não gostava, já era.
A Peça era desmanchada e vamos ao recomeço.
Acho que no semáforo, quando fiquei olhando para o ponto fixo, me fixei num beija-flor invisível a olho nu.
Os olhos são da senhora que sempre beijou e beija flores.
Tem uma que nasce em bulbos e normalmente são quatro flores cor de rosa.
No livro O nome da Rosa do Umberto Eco, dizem que o título é esse porque rosas são rosas e portanto são apenas rosas, sempre iguais.
Calma aí.
O Rosa da Senhora Rosa é de outra origem.
O Rosa dela é a Rosa dela e só dela.
Você dirá que cada ser humano é alguém diferente.
Qualquer ser humano sim, mas Ela é Rosa.
Eu sou um Humberto que era para ser Umberto e na minha simplicidade me rendo a essa Rosa que é só dela.
Uma pausa.
Os instrumentos da orquestra toda silenciam por um instante.
Ainda soa o trompete e o tímpano.
Uma pequena pausa.
Minha música é intuitiva.
Sei que a Ópera é gigante e que as pausas são necessárias.
Aprendi seus movimentos, sua astúcia e seu gosto.
E aquilo que aprendo, além de não esquecer, eu aplico, pratico.
Não sou maestro mas aprendi muito com as duas Maestrinas.
Com essa, em particular, aprendi que a pausa é necessária.
"Filho quero ir embora!"
Senhora, saiba que você jamais vai embora.
Aqui você ficou e aqui a senhora jamais terá pausa.
Estará sempre nos meus pés caminhantes e na minha síndrome da Mente acelerada.
Pausa é para as óperas.
Senhora: Você é Eterna
Minha música é intuitiva, mas reconheço uma pausa na partitura.
A pausa pode ser longa para a orquestra inteira e pode ser mínima para cada instrumento.
Noventa e oito notas são muitas notas, mas sempre a música pede mais.
E a gente gostaria que a ópera durasse bem mais.
Muito mais.
Durante os atos, a senhora recalculou até uma conta feita de forma equivocada pelo governador.
Depois de ver e rever a maestria da senhora calculadora, o governador se rendeu e a parabenizou.
Na Caixa ela sempre foi fora da caixa, no sentido que a caixa tinha que ser sempre maior, ou aumentar de tamanho, já que saiu de lá aposentada no cargo de chefia da contadoria.
Qualquer caixa que supunha que ela coubesse, ela dava um jeito de ampliar.
Antes de tudo isso, exercitou seus cálculos com o pai, mercador de tecidos.
A régua de madeira ainda existe, mas seus números anunciadores das medidas já se apagaram.
Arranjar e equilibrar vários tipos de flores e pequenos arbustos é mais um atributo da senhora. Sensível mulher que deu sentido e significado aos arranjos que brotavam em vasos muitas vezes confeccionados por ela mesma.
Existem alguns ainda guardados esperando o bom senso da decoração de ambientes, sendo que dois deles podem ser vistos na estante da Taba da Tabapuã.
São peças fortes, esmaltadas, que vão além da decoração e atingem o patamar da Arte.
A cabeça lúcida de uma lucidez digna de profunda Luz.
Lúcida.
Reluzente.
Escrito assim parece até exagero, mas não.
Uma cabeça pensante que arruma círculos coloridos de diversos diâmetros em três hastes verticais, de forma que os maiores fiquem embaixo e os menores se encaixem até em cima.
Tetris, peças que vão caindo da parte de cima da tela e vão se encaixando até que ela tenha batido o recorde.
Palavras cruzadas, caça palavras e Sudoku.
Mestra em horizontais, verticais e diagonais.
Interessante notar que nesses dois últimos prazeres a base são quadrados.
A máxima: Cada um no seu quadrado não se aplica à senhora.
Cabeça ocupada com cada quadrado humano da família, que sempre faz festa quando ela está capacitando o ambiente.
A oração do Natal é sagrada naquilo que o sagrado tem de fé e esperança sempre renovadas.
Pausa.
Uma síndrome como a da Covid 19 foi um reforço da paixão pela vida e o ar foi entrando nos pulmões de forma triunfal até que ela recuperasse o fôlego e reiniciasse a fase do vídeo game.
Um game atrás do outro para essa senhora Matriarca, onde as fases são suplantadas uma a uma.
Pausa.
Enquanto o fagote toca uma frase a tuba está pausada.
Enquanto a percussão soa, os violinos silenciam.
É a cadência da senhora.
Um jardim dentro de casa que estampa o vidro grande que dá para a sala de jantar.
Outras plantas são distribuídas em vasos maiores e menores, colorindo o corredor.
Num dia de sol saímos com ela na cadeira de rodas pelas ruas de São Paulo, atravessamos a Paulista, pegamos a Alameda Santos e ela paralelamente ao meio fio ia nos guiando.
Sim.
Ela é Guia.
Mostra o caminho em gestos e palavras, atos sem omissões.
"Essa moça não poderia dar risada. Ela fica muito feia rindo."
" Olha o cabelo dessa moça? Será que ela acha bonito?
Sem omissões.
Fala na lata e na lata é aquela batida cincopada do Olodum, que é pra gente ver se tomamos tento.
As viagens com a amigas renderam bons vinhos e visitas às maiores fazendas do Sul do país e outros recantos.
Dali vieram blusas de frio, que talvez de alguma forma, a inspiraram a fazer em crochê várias mantas sensacionais.
Se na metade ela não gostava, já era.
A Peça era desmanchada e vamos ao recomeço.
Acho que no semáforo, quando fiquei olhando para o ponto fixo, me fixei num beija-flor invisível a olho nu.
Os olhos são da senhora que sempre beijou e beija flores.
Tem uma que nasce em bulbos e normalmente são quatro flores cor de rosa.
No livro O nome da Rosa do Umberto Eco, dizem que o título é esse porque rosas são rosas e portanto são apenas rosas, sempre iguais.
Calma aí.
O Rosa da Senhora Rosa é de outra origem.
O Rosa dela é a Rosa dela e só dela.
Você dirá que cada ser humano é alguém diferente.
Qualquer ser humano sim, mas Ela é Rosa.
Eu sou um Humberto que era para ser Umberto e na minha simplicidade me rendo a essa Rosa que é só dela.
Uma pausa.
Os instrumentos da orquestra toda silenciam por um instante.
Ainda soa o trompete e o tímpano.
Uma pequena pausa.
Minha música é intuitiva.
Sei que a Ópera é gigante e que as pausas são necessárias.
Aprendi seus movimentos, sua astúcia e seu gosto.
E aquilo que aprendo, além de não esquecer, eu aplico, pratico.
Não sou maestro mas aprendi muito com as duas Maestrinas.
Com essa, em particular, aprendi que a pausa é necessária.
"Filho quero ir embora!"
Senhora, saiba que você jamais vai embora.
Aqui você ficou e aqui a senhora jamais terá pausa.
Estará sempre nos meus pés caminhantes e na minha síndrome da Mente acelerada.
Pausa é para as óperas.
Senhora: Você é Eterna
Comentários
Postar um comentário