Passos de tartaruga

Acabo de ler que o animal vivo mais velho do mundo é uma tartaruga, com cento e noventa e dois anos.
Fiquei pensando nas circunstâncias que se acumulam ao se viver tanto.
Penso na mãe do Ney e na Tommie, vivendo por cento e três anos.
A mãe do Ney viva e a Tommie já falecida.
É muito tempo em se tratando da gente e também das tartarugas.
Vamos todos caminhando nesse mistério vivo temporal.
Enquanto leio a noticia e vou refletindo, penso em outra fala que diz sobre nos concentrarmos na nossa própria vida e como devemos cuidar de nós mesmos.
Há muito a gente houve que para cuidarmos dos outros devemos estar bem conosco.
Parece-me meio óbvio, mas nem sempre damos valor a essa fala.
Ultimamente, ouço com frequência, que a gente deve respeitar os nossos sentimentos em dias que não estamos bem.
Devemos saber que tudo bem nos convivermos com esse sentimento angustiante.
Isso é libertador.
Tão libertador como estarmos felizes em dias ótimos.
Deve haver respeito para com a gente e para com os outros.
Isso se dá a partir dos sentimentos, bons ou ruins.
Essa observação me remete à simplicidade que foi o ensinamento do senhor Jesus.
Não os dogmas criados pelos humanos, mas a simplicidade do moço de Nazaré.
Amar a todos como a si mesmo.
Reparou que é a mesma máxima?
Pena que tudo o que é básico parece tão difícil de colocarmos em prática.
É simples e deveria ser básico.
É constatado que os golfinhos são muito inteligentes e se comunicam muito bem entre si.
Somos seres inteligentes, mas na busca pela simplicidade, a nossa caminhada vai se tornando complexa demais.
Fazemos a tal tempestade em copo d'água, calculando e fazendo planos mirabolantes, enquanto vamos gastando tempo e dinheiro.
Discordo totalmente da frase que diz que: Tempo é dinheiro.
Pepe já nos ensinou como devemos curtir o nosso tempo de vida, com mais vida.
Não uma vida temporal imensa, mas uma imensa vida de arte, entretenimento e contatos humanos.
Ruben Alves nos lembrou da felicidade vivida em momentos de um banho quente.
Mesmo estando em cuidados paleativos, algumas pessoas que resistem mais do que outras, comprova que ninguém é idêntico a ninguém.
Porém, nos reunimos entre os pares, àqueles que temos mais afinidade, mas também temos olhares para as outras Tribos.
Em geral as pessoas têm olhares nocivos e perversos para quem é muito diferente.
Realmente não tenho essa experiência, mas me chamou à atenção uma fala médica que atribuiu o meu senso de socorrer, de cuidar das pessoas, a algum fato negativo que me aconteceu no passado, talvez na infância.
Minha humanidade com certeza me fez passar por experiências mais traumáticas, mas eu cuido porque acho bonito.
Eu também digo que a nossa única certeza é a morte, mas também digo que A Pessoa nunca morre.
Ela fica nos ensinamentos que deixou.
Nas tantas pessoas que marcou.
Eu tenho uma foto do meu avô Umberto ao lado de uma câmera fotográfica, usando uma boina de artista.
Já o pai do Umberto sei que foi Orestes, mas o que ele fez não é do meu conhecimento.
Já sobre o pai do Orestes sei menos ainda, mas deixou alguns ensinamentos.
Por que não?
As pessoas deixam seus corpos, mas a alma - significado dos seus feitos - fica eternizada.
Aí devo mencionar os feitos bons e os ruins, já que somos todos seres humano, imperfeitos.
Detesto estatísticas em jogos de futebol e adoro quando os advogados falam: Protesto, Especulação.
Inclusive a Ciência nasce de especulações.
Tenho ciência disto.
Galileu Galilei teve que negar sua ciência para preservar sua vida, já que em nome de Deus os carinhas ditavam suas próprias regras.
Mudou quase nada.
A gente vive sobrevivendo.
Toda essa minha tese é sobre viver.
Até quando?
Só o tempo dirá.
E a voz do Tempo é como a do Milton Nascimento.
Divina

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