Memórias

Encontro o artista, jogador de basquete oriundo da Escola Municipal Doutor Getúlio Vargas.
Os outros amigos jogavam no Estadão.
No Getúlio, junto com o Stefen jogava o Turcão, que ainda faz música e tem família na Inglaterra.
O mais estranho é que eu sou péssimo no basquete.
Ruim mesmo, muito ruim.
No futebol chuto com a perna esquerda, digno dos bons meias, mas a minha cabeça sempre foi mais rápida que as pernas.
Encontro rápido no clube, antes da academia.
Alice Cooper retorna ao Brasil cinquenta e cinco anos depois, lançando um novo disco.
Estive no Parque de Exposições do Anhembi quando o Alice tocou para cento e cinquenta mil pessoas, com abertura do Som Nosso de cada dia.
Chegamos a estar no palco depois que uma mini ambulância levou uma menina desmaiada para a enfermaria que ficava atrás do palco.
Eu e mais dois amigos pegamos carona na traseira da ambulância e ficamos exatos cinco minutos assistindo de perto o Som Nosso.
Logo um segurança enorme tocou no meu ombro e disse educadamente:
Meninos, vocês vão ter que ir lá pra trás.
Ir lá pra trás significou, atrás das cento e cinquenta mil pessoas.
Rio porque todo artista tem que ir onde o povo está.
E fomos, emprestamos um binóculo e ficamos felizes.
Anteriormente o Parque do Ibirapuera era público e os shows eram gratuitos com todo mundo sentado no gramado.
Hoje é um Parque privado e sabe lá Deus onde acontecerá o show pago.
Num dia Alice, noutro Deep Purple.
Eu e os amigos vimos nascer todas as bandas do final dos anos sessenta e início dos setenta.
Yes, Gênesis, King Crimson, Deep Purple, Black Sabbath entre tantas outras.
Eu sempre fui apaixonado pelas bandas progressivas.
Pessoas do mais alto gabarito técnico e criativo, gente que estuda até hoje.
A minha música é intuitiva, já que apenas aprendi a fazer os acordes no violão com o meu querido e saudoso Seu Manico.
Escrevi Manico e o consertador digital mudou para Mágico.
Desta vez o corretor acertou em cheio.
Ele usava caneta Bic azul para as letras e sobre as sílabas ele colocava os acordes com caneta Bic vermelha.
O aprendizado foi assim e depois fui sozinho tocando só as coisas que produzo para os amigos e para os Colégios.
Este encontro rápido com esse amigo-irmão me trouxe à lembrança que ontem no busão eu procurei no YouTube e encontrei:
Vzyadoc Moe, a banda desse amigo nos anos oitenta.
Ele um pouco mais velho que os outros integrantes, num trabalho totalmente experimental, com bateria feita com latas e o vocalista cantando palavras inventadas na hora.
O nome da Banda foi criado sorteando letras num aquário vazio.
Quase experimental também era a Banda X Salada, capitaneada pelo Serginho Malim e a Sandrinha fazendo Backing-vocal.
O que considero mais alto astral é que os amigos são amigos até hoje e de algum modo, continuamos a fazer músicas e letras.
Estamos envolvidos com Arte e na maioria das vezes sempre tem alguém de Sorocaba envolvido.
No Estadão os amigos do Basquete eram o Junião, o Cadmo Fausto, o Fernandão, entre outros.
Havia um intercâmbio de amizade e produção entre os alunos das duas escolas que são vizinhas na Rua Eugênio Salerno.
Para você ver como quase tudo mudou, eram as melhores escolas da cidade e quem só queria, ou precisava passar de ano, ia no último bimestre procurar uma escola particular.
Velhos tempos e continuamos mais jovens, eu, os amigos e os professores Roberto, Evaldo e Marim.
Todos remando forte para acrescentar algo criativo na rotina diária, fazendo do rotineiro, um espaço onde podemos respirar aliviados.
Não posso deixar de salientar que os amigos sempre combinavam para assistir a algum evento musical em São Paulo.
Onze combinavam, mas só eu e mais uns dois é que realmente íamos.
Desta vez foi um Show do Terço em São Paulo no Teatro Bandeirantes na Avenida Brigadeiro Luiz Antônio.
Só eu estava na rodoviária no horário marcado.
Pensei por trinta segundos, comprei a passagem e fui, mesmo atrasado.
Quando cheguei na porta do Teatro as Chacretes estavam saindo com suas botas depois da gravação do Programa do Chacrinha.
Entrei e vi uma cena maravilhosa, bem antes dos efeitos especiais digitais.
Fiquei imaginando que o efeito foi produzido por um projetor de filme super 8, cuja câmera havia filmado uma daquelas luminárias com óleo e água, onde as bolhas ficam subindo e descendo.
Essa foi a cena.
O fundo enorme assim e a Banda tocando na frente, com o Venturini com aquele cabelo enorme nos teclados.
Impagável.
Noutro show que fui apenas eu, estive no Ginásio do Taquaral em Campinas.
Depois do Show chamado Rock and Roll Brasil, uma Combi branca me levou até a rodoviária.
Busão de volta só no dia seguinte.
Cochilei sobre três acentos e fui acordado por um policial simpático me perguntando:
Menino, você tem documento?
Eu apresentei a ele a minha carteirinha do Getúlio, que era a carteirinha do passe de ônibus.
Outros tempos.
Voltei pra casa no ônibus das seis

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