Design
Na corrida até aqui me chamou à atenção uma camiseta com a palavra Design estampada em branco.
Desenho.
Eu sou apaixonado por desenho.
Uma expressão composta basicamente por linhas e formas.
Descrevo para os meus queridos que um ponto ligado a outro dá origem à linha e quando essa se fecha temos a forma.
As tais que podem ser geométricas, ou orgânicas.
Tudo isso para mim é encantamento.
Pessoas me encantam sobre maneira, mas o desenho me proporciona externar coisas que, na composição, não foram visíveis anteriormente por ninguém.
Curiosamente uma amiga terapeuta postou no seu story uma mensagem que diz sobre o autoconhecimento e o slogan era O invisível tornado visível.
Isso é um tornado de potência.
Winnicot disse que os artistas são motivados pela tensão entre o desejo de se comunicar e o desejo de se esconder.
Obviamente estou pensando até agora nessa frase que printei ontem.
Esse esconder-se pode ter necessidade de apresentar-se e daí advém a comunicação ativa.
Antigamente eu dizia que os amigos que desenham, obrigatoriamente deveriam mostrar para alguém, ou para o mundo.
Faz tempo que mudei a minha percepção.
A partir do momento da produção eles podem até deixar trancada na gaveta, afinal a produção dialogou primeiro com seu produtor.
De repente já é o suficiente.
Outro dia já escrevi a respeito, mas não custa nada repetir.
Eu gosto de desenhar sobre outros materiais além de fazê-lo apenas sobre o papel.
Adoro desenhar em tecido, de tal forma que o próprio tecido se apresenta para as minhas linhas, através da sua textura.
Um mestre da pintura de Sorocaba e do Mundo, Artista e Filósofo, Aluísio Vieira pintava seus Cristos respeitando os veios, ou seja, os desenhos da madeira.
O tecido sugere para mim o movimento do traço e a ponta da caneta vai se adaptando às tramas.
A gente vive desenhando.
Desenhamos o nosso mapa de ações cotidianas, nossos mapas astrais, nossa planilha de gastos e recebimentos, desenhamos nosso presente e o nosso futuro.
Desenhar é fiar e tecer, dessa forma fiamos juntos, confiamos.
Confiar no próprio taco é produto de constante exercício de autoconhecimento.
Outro dia escrevi sobre a bênção que é sabermos desde muito cedo o que viemos fazer aqui nesse mundão.
Desenho, pessoas e vice-versa, montando uma Teia onde a providência divina acontece de graça.
Uma graça.
Graças alcançadas através da humana observação atenta.
O que o moço veio fazer aqui se não tornar-se humano sendo divino?
Podemos acreditar no que quisermos, a liberdade é total nesse campo e não acreditar também é uma opção.
Enquanto transcrevo linhas e monto redes eu vou me sentindo e percebendo que tudo isso vai além de mim.
Quando pintei o retrato de um moço que havia falecido há uma semana num acidente automobilístico, a pedido da prefeitura da sua cidade, lá pelas tantas eu lembro de ter começado a pintar a cabeça do cavalo no qual ele estava montado e só Acordei quando a cabeça estava pronta.
Ele deixou esposa e duas filhas pequenas.
Já ministrei aulas de Arte para as duas e para a filha de uma delas.
O que isso significa?
Uma vida que ultrapassa os riscos que todos nós corremos e as formas variadas com que a vivemos.
Ando a rabiscar as minhas paredes pra ver se desenho algumas portas e janelas.
Espero e confio em encontrá-las abertas
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