Condição
É incrível como o nosso corpo se condiciona.
Um dia sem exercícios em sequência e no começo da série tudo range.
Pouco tempo depois está tudo nos eixos e caminhando bem.
Dizem que é como andar com a bicicleta, ninguém nunca esquece como faz.
Um amigo tem uma frase espetacular que diz:
Aproveite viajar enquanto a mala de viagem é maior do que a de remédios.
Perfeito.
De repente a única viagem que faço é de Sorocaba para São Paulo e vice-versa.
Rio porque vivo viajando.
Tento descobrir se as minhas viagens são cerebrais ou emocionais e não chego a uma conclusão.
Calma, chego sim.
As conclusões aparecem em crônicas e imagens.
Essa última frase também é uma viagem, afinal eu nunca paro de Pensar sobre isso.
Acho que é uma coisa mental e ela chega pelos olhos.
Essa é a minha versão.
A história do processo criativo que começa na sensibilidade aguçada dos nossos cinco sentidos, passa pelo nosso cérebro que entrelaça memórias por nós vivenciadas e termina na expressão, no dizer alguma coisa relativa, através de qualquer Linguagem.
Portanto o Mental tem muita participação nesse processo.
Chuto que há cérebros que vêm para esse mundão com áreas mais aptas para essa tarefa, mas apesar de tantas pesquisas, ainda para mim é um chute.
As pernas indo para cima e para baixo, condicionadas ao movimento.
O barato de ser artista é a não programação, mas isso também é viagem minha.
Existem muitos artistas visuais e da literatura que se programam e estudam bem para produzir.
Eu sou apenas um farsante mesmo.
Rio porque o Lô Borges disse que não sabe nada de música e o autor Mário Prata disse que tiraria zero na prova de gramática da Fuvest, quando essa usou um texto seu na prova.
Rio novamente porque estou em excelente companhia.
Não que eu seja um Lô, ou um Prata, já que estou mais para bronze.
Por falar nisso quando dou aulas de perspectiva, falando que a linha do horizonte acompanha os nossos olhos, eu cito a linha que divide o mar do céu e peço para que os alunos imaginem só eu na areia, olhando para a avenida da praia vestindo a minha sunga azul.
Quando eu me abaixo a linha desce e quando me levanto a linha sobe.
Eles nunca conseguem se concentrar no horizonte porque ficam com a minha imagem usando a sunga azul.
Braços bronze depois da linha da manga da camiseta, bronze nas pernas depois da linha da bermuda e bronze na cabeça acima da linha da gola.
O resto todo é Palmito, ou Maizena.
A visão do Inferno.
Rio porque você deve estar morrendo de rir.
Porém é a mais pura verdade.
Aqui estou eu a profetizar sobre o que a Arte representa para mim.
Para mim vale mais o que eu posso fazer de propaganda sobre ela.
Propagar nas aulas e nas conversas diárias.
Não creio que a Arte seja a vida é nem que tudo na vida é Arte, apesar de compreender claramente a frase do Joseph Beuys:
Arte é Vida, Vida é Arte.
Ele pegava tudo que encontrava e transformava em Obra, quase como o Duschamp, que colocou o urinol no Museu.
Acabei de receber de um amigo um pequeno vídeo que começa com um artista estendendo um tela grande e branca no chão e fazendo com tinta preta um gesto com uma brocha grande sobre ela.
Logo após, em ultra velocidade um outro artista monta uma tela branca num cavalete e nas quatro bordas prega um prego a cada centímetro.
Amarra uma linha preta num dos pregos e vai ligando um prego a outro até formar uma imagem na qual um rosto de perfil se estampa.
A mensagem do amigo é clara.
Como um é Artista e o outro também?
Explico com uma história que aprendi:
Um empresário muito rico chamou no seu escritório um Artista conceituado para fazer uma Obra para ser pendurada atrás dele no escritório.
O Artista sacou da sua grande pasta um papel branco grande e com um crayon preto fez uma linha gestual de cima para baixo e com crayon verde fez mais uma linha gestual de baixo para cima e disse:
Aqui está!
O empresário perguntou:
Quanto custa o seu trabalho?
O Artista respondeu:
Cinco mil dólares.
O empresário retrucou:
Cinco mil, mas você não demorou nem um minuto para fazê-la?
Não Senhor, retrucou o Artista.
Eu demorei a Minha Vida inteira
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