Horários
Hoje estive no guichê de confecção de passaportes no Shopping.
Meu horário agendado era Doze e quarenta.
Como gosto de saber exatamente qual é o lugar, o andar, o piso e me familiarizar com ele, cheguei Onze e trinta e oito.
Calma, não tire conclusões imediatas.
Eu apenas queria saber onde ficava e depois ia direto almoçar ali mesmo.
Depois do almoço eu ia tirar a minha foto e registrar a minha digital do indicador direito.
Porém, ao passar pelo guichê da Federal vi que não havia ninguém esperando a vez.
Apenas três guichês e duas pessoas sendo atendidas.
Logo na entrada a mocinha da recepção me ouviu falar:
Moça, eu vou fazer uma pergunta que Você jamais vai esquecer.
E já fui falando alto:
Doze e quarenta é doze e quarenta mesmo?
Ela sorriu e já foi pedindo meu documento com foto às Onze e trinta e nove.
Em três minutos eu já saí com o papel com as orientações para pegar, ali mesmo, o meu primeiro passaporte no dia dez de abril.
Moça iluminada.
Doze e quarenta, em um sorriso, transformou-se em Onze e quarenta.
Fui almoçar no melhor restaurante do shopping.
É o que diz a placa amarela e eu assino embaixo.
Almoço simples, caseiro e gostoso.
Porém o mais festivo é encontrar a senhora enfermeira aposentada depois de trinta e um anos no mesmo hospital, tentando passar o cartão de crédito.
Ela estava sendo atendida antes de mim.
O moço que atende é daqueles seres especiais, cheio de tatuagens e uma atenção e inteligência marcantes.
Eu, ele e a senhora, lidando com o Cartão nas tentativas de descobrirmos qual era o problema.
Ela pedia mil desculpas dizendo que já havia recebido a aposentadoria na conta e pedia paciência.
Eu garanti a ela que não tinha pressa e que eu tinha a maior paciência do mundo, afinal ministro aulas para pessoas de treze, quatorze anos.
Ela mais rápida, disse:
Aborrecentes.
Ela trocou de cartão e nada.
Dava erro na senha.
Enfim ela desistiu e pagou em dinheiro.
Lá fui eu.
Era minha vez.
Aproximei o cartão e deu erro de leitura.
Rimos aos montes.
O menino me fala:
Vai lá, almoça e depois a gente acerta.
No meio da garfada no tomate encaixado na cebola, me lembrei que o meu cartão rosa só serve para mercadinhos e mercadões.
É o tal cartão alimentação, que não podemos pagar quando estamos nos alimentando, mas você já sabe como é.
Falando nisso, ontem contei pela enésima vez a piadinha inocente dos dois mercados voadores.
Ei pessoal, dois mercados foram vistos voando nos céus e um deles caiu e estatelou-se no chão.
Por que o outro continuou voando?
Porque ele é o SuperMercado, Betão!
Resumindo, quando terminei o almoço, delicioso por sinal, paguei com o cartão oficial do banco.
Antes o moço me disse:
Caramba, eu passei mais de dez cartões nessa máquina e não deu problema.
Rapidamente eu disse:
O problema era eu.
Rio, porque o Rio continua lindo.
Já estou dentro do busão indo para São Paulo, mas para chegar à rodoviária é preciso o Uber e seu motorista.
Quando a gente espera ele chegar a gente fica olhando o mapa maluco.
E lá vinha ele pela minha rua e eu acompanhando no visual.
De repente, repentinamente, o desenho do mapa ficou ainda mais maluco.
O GPS mandou ele virar antes e ele teve que dar a volta no bairro.
Chegou.
E lá fomos nós, no Peageot branco final B13.
Isso mesmo, B13, do 13tu.
Qdo eu entrei no carro falei para o motorista que muitas vezes o GPS apronta dessas com eles.
Ele garantiu que deve ter sido o sinal.
O que eu sei é que ele gosta de ouvir a moça indicando os caminhos.
Só gosta de ouvir, porque seguir é uma outra história.
E quando ele falou que morou no bairro onde estávamos?
A moça GPS falou: vire à esquerda na rua Granada.
Boom!!!!
Ele virou uma antes e não conseguia voltar, claro.
Lá fui eu de GPS.
No final, com muito medo, pedi para ele me deixar no posto que fica em frente a rodoviária.
Quase que ele vira antes, mas consegui que ele endireitasse o caminho.
E o WhatsApp de compras de passagem do Cometão?
Antes de sair de casa tentei.
Só pra economizar linhas, depois de cinco minutos de Digite 1 para tal coisa e Digite 3 para outra, apareceu a mensagem:
Desculpe, para esse serviço não temos mais condição de atendê-lo.
Rio porque encontrei uma placa no caminho onde estava escrita a frase: Obras para o desassoreamento do rio Sorocaba.
Assoreamento é o acúmulo de lixo, matéria orgânica entre outras no fundo dos rios e não a região dos Açores que por sinal é escrita com cedilha?
Que palavra linda, Cedilha.
Um sinal diacrítico, assim como o til.
Não temos mais o trema na nossa escrita, mas não tremi de medo do motorista me deixar num outro posto qualquer.
No guichê do Cometa, uma dezena de senhores e senhoras de certa idade como eu, estavam numa hiper fila a espera de passagens gratuitas.
Como sempre fui a um dos três monitores de auto atendimento e em dois minutos estava com a minha passagem na mão.
Treze e trinta.
Poltrona vinte e quatro, corredor, porque a vinte e três é destinada a eventuais pessoas com alguma deficiência.
Já escrevi inúmeras vezes, mas não custa nada repetir, que eu tenho muitas deficiências e continuo me admirando com a inteligência dos outros.
Exatamente no dia que mostramos mutuamente que o tempo é coisa relativa mesmo.
Relativo ao nosso critério e escolha.
Hoje, Doze e quarenta tornou-se em segundos, Onze e quarenta.
De volta para o futuro do presente. Sabendo que o futuro do presente é o tempo verbal Visionário.
Daqui a pouco visitarei as linhas das mãos
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