Escuro
O tempo é que nos tem.
Parece ser o tema da série alemã, Dark.
Os viajantes de lá pra cá e de cá pra lá circulam pelo tempo,achando que eles são os reis da cocada preta.
O que reforça a minha tese descrente que Não temos tempo a perder.
A mim não importa tanto a verosssimilhança, nem a lógica total do quebra-cabeça.
Não importa quase nada, já que nesse discurso eu pretendo sincronizar as ideias, que são demasiadamente vagas para mim.
Digo isso sabendo que perco muito do entendimento de determinadas falas e vou prosseguindo sem cerimônia.
Eu digo isso pensando que dou conta do conteúdo, mesmo com as sortidas indicações do roteiro.
Ontem, por exemplo, a apresentação de slides da primeira palestra do encontro sobre avaliação educacional, apresentou um cérebro feito com círculos coloridos de diversos tamanhos ligados por segmentos de reta.
Nem todo mundo percebeu se tratar de um cérebro refigurado, mas o idealizador percebeu bem antes de qualquer um.
Ele precisou de um start, de um briefing, e depois disso sua imaginação correu solta, moldando em Forma, aquilo que pretende indicar as diversas conexões não só de um único cérebro, mas de todos entre si.
Dark é escuro, tem seu personagem e a série pretende ter alguém que, em contrapartida, visualize e se interesse pela luz.
A corriqueira viagem entre o bem e o mal, sendo que no caso dessa magnífica série, é viagem mesmo.
Tudo está conectado e não há conscidência, propõe o enredo.
Energia nuclear, matéria escura, buraco de Minhoca.
Como eu gosto sempre de reinterar o meu conceito de Interpretar como sendo o estar na escuridão da ignorância, mas disposto a receber a luz da sabedoria, nesse caso, essa minha viagem está disposta a ser um pouco mais do que uma conversa interna.
Volto à primeira frase e aponto que é o Tempo que nos tem e não nós a ele.
Gil escreveu Tempo Rei e Caetano, Oração ao Tempo.
Nem vou entrar nos conceitos dessas duas letras incríveis.
Em Dark as pessoas existem e residem numa cidade alemã onde é construída uma usina nuclear e um dos recortes do tempo se dá na mesma época do desastre de Chernobyl.
Quando vi pela primeira vez as duas Torres da usina, me lembrei na hora das de Angra, porém nunca imaginei que saísse fumaça dos seus topos.
É vapor d'água, descobri.
Algumas pessoas entram numa caverna e depois de passarem por uma porta de metal com a inscrição em latim: E assim foi criado o mundo, aparecem em outra época, viajando no tempo.
Vão e voltam a fim de mudar alguma coisa que julgam estar errada.
Lembro que em outras jornadas com a mesma ideia, o roteiro proibia os viajantes de mudarem o Passado.
Nessa, as vezes é permitida a mudança, em outras não.
Eu considero que essa jogada é uma série de licenças poéticas que vão se entrelaçando, sendo que a gente vai descobrindo aos poucos quem é quem, seja criança, jovem, velho, ou ancião.
Rio porque nunca viajei para fora do país.
Fazia um tempo que não ouvia a expressão dejavu e em Dark ela é muito vista e revista, inclusive o significado do termo e esse: Já visto.
Faz muito tempo que não acontece comigo, porém já aconteceu e é bem legal.
Eu gosto.
Quero frisar que ainda nem terminei a segunda temporada.
Você que me conhece sabe que não consigo deixar de tratar de costurar, ou passar um durex nas coisas que vou pensando, enquanto vou assistindo.
A série acontece numa cidade alemã, mas pela lógica deve ser algo mundial.
Esse, inclusive, deveria ser o enredo dessa minha narrativa.
Deve acontecer algo semelhante em vários lugares do mundo e a sensação que mais me anima é pensar na cabeça das pessoas envolvidas.
O total desentendimento das circunstâncias que envolvem determinado fato.
Quem vai pensar que o povão está viajando no tempo?
A única coisa que alguém vai pensar é que alguém matou essa gente, de um jeito, ou de outro.
Fico a pensar sobre quantas experiências não estão sendo feitas nesse momento e a melhor frase do capítulo de ontem a meu ver foi:
O ser humano não sabe nem a metade de tudo o que acontece.
Aí vem o casal de cineastas alemães e propõe Dark abrindo um leque gigantesco de possibilidades, a princípio de entretenimento e para alguns, muitas possibilidades de reflexões.
Entreter nunca foi sufuciente para o ansioso.
Eu poderia ficar escrevendo aqui por horas e você com certeza iria se perguntar:
E?
Já que todos nós somos cheios de imperfeições e defeitos, como sabermos se somos bons, ou maus?
Por que tanta luta polarizada entre essas duas energias?
Já que é o tempo que me tem, sigo imperfeito achando que o bem que eu faço agora, no momento seguinte atinge uma faísca de alegria no outro.
Já escrevi várias vezes e repito agora que faço isso porque eu acho bonito e também porque sou egoísta, já que a minha experiência mostra que para esse pequeno bem que ofereço, recebo muito mais em troca.
Juro que quando faço, a troca nem passa pela minha cabeça, mas vai que viajei no tempo que me tem e não me detive.
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