Controle remoto
A minha vida segue sentindo que eu sempre tenho o controle de quase tudo.
Claro que quando eu era mais jovem essa característica era muito mais marcante.
Por que estou escrevendo sobre isso?
Logo que acordei juntei todas as coisas que tinha que fazer nessa terça-feira e pensei: Não preciso de agenda, eu tenho tudo aqui na cabeça.
Segundos depois notei que tudo o que eu marquei para fazer nas poucas horas sem aulas, nem eram tão vitais assim, mas marquei tudo para a mesma hora.
Não exatamente na mesma hora, mas uma coisa em cima da outra.
Já é um alívio pensar como sempre pensei, que tudo acaba dando muito certo, seja de um jeito ou de outro.
A providência divina me acompanha.
Aprendi com muito custo a delegar alguma coisa.
Isso, no singular.
Uma coisa.
Perguntei para o meu vizinho de frente se ele estaria em casa no período da tarde.
A troca do decoder da TV aconteceria entre às quinze e às dezoito horas.
A consulta médica eu previa que seria rápida, mas foi ainda mais rápida porque o doutor com uma certa idade, apresentou a necessidade de fazer uma cirurgia de catarata, então ele me encaminhou para um doutor mais jovem.
Não se escandalize, é apenas uma microcirurgia de rotina, que se faz no consultório com um doutor que tenha uma boa visão, mas nem é tão necessária.
Se eu quisesse nem precisaria fazer, mas a gente gosta de mais experiências.
Saí e cheguei em casa antes das quinze.
Sabia que teria que digitar as notas dos queridos alunos das minhas dez classes e não perdi tempo.
Fui fazendo, uma a uma e terminei no exato momento de chamar meu vizinho para que ele ficasse atento porque o moço da Net não havia chegado.
Deixei o celular lincado na página da visita técnica, que mostra quando o técnico está a caminho.
Comecei as minhas aulas e nada do técnico.
Em algum momento o técnico chegou para efetuar a troca e o vizinho, que já estava esperando ouvir o meu interfone tocar, o atendeu.
Deconder trocado e eu mesmo sem o controle de nada estou fazendo meus exercícios na academia depois de nove aulas desde às sete e meia da.manhã.
Adoro.
A experiência me controlou.
Sabemos e eu sei que a gente não controla nada, tampouco eu.
Porém é de grande responsabilidade para mim saber o que vou fazer durante meu dia.
Hoje conheci mais gente que atravessa meu caminho e cumprimentei uma dezena de crianças no colégio, mesmo que nunca as tivesse conhecido.
Algumas delas me conhecem de vidas antepassadas, ou de viagens no tempo e respeitosamente me chamam: Betú!
Temos um novo aplicativo que une várias plataformas que usamos no Colégio.
Recebemos o convite ontem através do e-mail institucional e hoje no primeiro intervalo, todos os professores já haviam feito o login.
Eu não me surpreendi porque sempre tive e tenho a certeza da competência dos meus amigos de classe.
Para ser professor é necessário que tenhamos uma inteligência privilegiada no sentido de resolução de problemas.
Por que vamos arranjar mais problemas?
A Cultura do fazer não me persegue, eu sempre a persegui.
E não é algo que se encontre.
É algo que se caminha.
Meu smartwhatch marca a quantidade de passos dados no dia e eu estou sempre acima do esperado.
Claro, todo ansioso é assim.
Adoro o termo Pernas inquietas.
Não é possível esperar, temos que pegar o bicho e dar conta de fazer tudo além do alcance médio.
Tenho uma canção que diz que a saudade é um bicho ladrão que rouba a paz do meu coração.
Não rouba só a minha, mas a letra é assim.
Mas a saudade é um bicho distraído que eu faço questão de confundir.
Eu vou preparando a armadilha pra que ele seja pego no laço.
Se ele é ladrão da alegria, vou vencê-lo pelo cansaço.
Estás vendo?
É ele que é vencido pelo cansaço.
Eu sigo pedalando.
Falando em passeio pelo colégio, só não anda com uniforme que é do cursinho.
Indo em direção ao restaurante, vejo de longe vindo na minha direção um casal de mãos dadas.
Ele diferente, ela um pouquinho menos diferente, mas meu coração artístico já conhece.
Quando eles estavam a um metro e meio de mim eu falei bem alto levantando as duas mãos: Olhem que casal mais combinantes, uma beleza.
Os dois agradeceram sorrindo e com um obrigado delicado.
E pensar que devo a esse momento um festim de suavidade e encanto.
Não tenho controle de nada, a não ser da minha euforia demasiada destinada a rugir de felicidade.
Para que tem ouvidos, veja, sinta o aroma, aguce o paladar e toque fundo na própria alma a fim de sentir que nem tudo é aflição
Comentários
Postar um comentário