Casa corpo

Nosso corpo como nossa casa.
A casa da razão mágica.
Na nossa casa cabe muita coisa.
Uma mobília que transcende as coisas físicas e acabam carregadas de sentimentos e emoções.
Móveis estamos, quando andamos por todos os cômodos sem nos incomodarmos, ou acomodarmos.
Acomodamos quando nos sentimos confortáveis em cada cômodo.
Na cozinha rítmica está a bateria, talvez no compasso do nosso coração.
A batida é certeira e às vezes frenética.
Casa de banhos de sal grosso, alfazema, aromas sortidos, indicando a sorte que temos de trabalharmos a mente e a casa.
Enquanto o nosso lobo não vem a gente espera que a nossa casa tenha um alicerce forte e que os tijolos estejam bem assentados.
Outro dia vi numa rede social um pássaro construindo sua casa com raminhos verdes.
Ele costurava, fiava, confiava na habilidade para proteger os seus.
A mania de certas casas é também proteger os vizinhos.
João de Barro.
Um nome maravilhoso para quem com habilidade constrói sua casa e deixa a porta aberta.
Dizem que os olhos são as janelas da alma.
Janelas são o caminho para a entrada da luz e na condição da frase anterior, também é abertura para que compartilhemos a nossa Luz para fora, para que todos possam ter ciência.
A ciência da consciência é alicerçar a casa com o afeto recebido na infância, mesmo sabendo que há tantos que ao invés de afeto, são afetados por violência e desalinho.
As linhas planificadas na planta original da nossa casa servem de base para a construção, mas não são garantia de qualificação.
Afinal, não há garantia se não houver vontade e condições de ultrapassarmos os limites que nos são impostos pelo exterior.
Nosso interior é afetado por todos os tipos de trauma, tanto os bons como os maus.
A condição da panela de pressão que está posta no nosso fogão é rigorosamente o jogo posto na nossa mesa.
Podemos aliviar a pressão impondo água da nossa pia sem molhar demasiadamente a nossa válvula.
E a válvula de segurança nos ajuda na tentativa de controlar a vontade de estourarmos, espalhando o indesejável pelo nosso teto.
A nossa casa é sempre frágil, mesmo se a considerarmos forte e concretada.
A minha razão é mágica e portanto passível de sonhos, sejam eles abraçados ao travesseiro, ou ligados às travessas que estão na pia para serem lavadas.
Daqui da minha morada posso ver os prédios e avenidas e também posso ver os raios de um sol iluminando tudo atrás das montanhas, alvejando o relvado verde e viçoso.
A minha casa está sendo exercitada pela caminhada diária entre as quatro paredes internas e externas.
O tal lar doce lar requer sabermos que a glicose tem a ver com a energia que estamos dispostos a empregar na jornada.
Nada melhor do que depois da viagem, retornar para casa em segurança.
Segurança é sempre algo relativo.
Um dia ouvi uma reflexão política interessante dizendo que não se pode ter liberdade e segurança ao mesmo tempo.
Acho crível.
A minha casa é livre para viajar suspensa por balões e não há garantias de estar segura, afinal ela flutua e os pássaros, por mais que sejam, podem furar os balões.
De toda forma posso preferir seguir como o senhor Zé Ramalho propôs.
Ser dirigível que não voa e não pode flutuar.
Posso, mas minha casa ainda está duvidando.
E a dúvida é senpre a alma do nosso alicerce


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