Aprender
Conhecer.
O Aprender acontece a partir de algo que alguém desconhece.
Sou adepto da ideia do Vigotsky e do Piaget, que dizem que aprendemos nas relações sociais e também penso que o indivíduo aprende a partir do seu próprio julgamento sobre suas necessidades.
Aparentemente são dois processos de aprendizagem.
O que o currículo pede e é aquele que o professor tem que cumprir e sabe de antemâo que quase sempre o aluno desconhece.
E o segundo processo é aquele que o aluno, por vontade própria, deseja conhecer.
Ambos têm poder e estão sempre no universo das investigações educacionais.
É fato que existe um professor para uma média de trinta alunos por sala.
Eu particularmente tenho quarenta e cinco minutos por semana para estar com os queridos.
Exercendo uma lógica matemática seria impossível olhar para cada um e perceber suas particularidades, então me ponho a andar com a minha cadeira pela sala, estacionando perto das pessoas que sinto precisar de uma atenção maior.
Pura intuição, mas é assim.
Perceba que o verbo apreender tem apenas um e a mais, mas faz fluir um significado mais profundo ao aprender.
No apreender quem aprendeu introniza, coloca para dentro, aprende decor, de coração e alma.
Apreende.
A questão das sílabas tônicas foram introjetadas em mim quando aprendi com dona Anna.
São as sílabas fortes.
Uma palavra carrega sua gloriosa sílaba forte.
Disse ela e eu apreendi: Todas as proparoxítonas são acentuadas.
Isso porque depois da sílaba forte vêm duas fracas.
Assim sabia o Buarque quando escreveu a canção Construção.
Tímido, bêbado, tráfego, última e tantas proparoxítonas que se invertem e se entrelaçam invertidas na letra.
Eu introjetei que é Médico, já que não é medíco e muito menos medicô.
Avalio que ainda há muito o que refletir e praticar em sala de aula buscando que nossos alunos aprendam e apreendam.
Gostei da professora Hoffman enfatizar que a Educação é a educação do Ainda.
O que aprende Ainda não é.
No exemplo dado por ela o aprendiz de veterinário pode sim dar uma injeção e matar duas vacas, afinal ele Ainda está aprendendo.
Adoro a expressão escola básica, que hoje vai dos nossos seis anos até mais ou menos os dezessete.
O tempo do Ainda.
É também verdade que quando se para de aprender é porque estamos mortos.
Vive-se aprendendo.
E eu amo apreender.
Quando aprendo além de não esquecer, eu uso.
Quanto me ensinaram os mecânicos, os auto elétricos e o próprio Fiesta 98.
Apreendi e uso muitas coisas da mecânica e da elétrica práticas.
Hoje está tão na moda o não julgamento, mas as pessoas continuam adorando julgar.
E o que é o julgamento senão o Avaliar?
Julgamos porque temos uma espécie de Certeza de que tudo o que sabemos é Verdade Absoluta e dessa forma, nos vemos no direito de darmos palpites e pitacos.
Avaliamos segundo nossas crenças e aí fica difícil compreender a crença do outro.
Calma.
Temos uma estrutura física de sala de aula com carteiras enfileiradas e até podemos transformá-las em duplas, ou pseudo círculos, até em Ús.
Continuam sendo carteiras numa sala com um tamanho específico.
Enfatizo a importância desse detalhe.
Avalio que seja mais difícil esse tipo de educação do que aquela educação peripatética.
Aquela onde o Mestre caminhava com seus discípulos.
Seus discípulos?
Não.
Seu discípulo, eram apenas o Mestre e seu único discípulo, informação que apreendi com a série Merlí.
De toda forma a educação básica vem da família, sabendo que em várias conversas com pais a gente ouve uma afirmação e um questionamento específicos.
Primeiro os pais afirmam não saber mais o que fazem com o filho e afirmam que ele não tem limites e depois questionam:
Professor, você tem alguma ideia do que nós podemos fazer?
A educação básica é sem dúvida papel original da família, já que mencionei ter ciência das ideias do Vigotisky e do Piaget e sei que o ser humano aprende no convívio social.
Convívio que acontece primeiro em casa, nos contatos sensoriais entre países filhos.
Na audição da língua falada e de vários estilos musicais, no olfato das comidas apetitosas, no tato dos toques afetuosos, na fala sempre respeitosa entre os casais e seus filhos e no instigar os olhos de todos com visitas não apenas a lugares bonitos, mas também a instituições de Arte e Cultura.
Professora Hoffman também falou que até dois irmãos gêmeos não têm a mesma percepção do mesmo assunto porque foram impressionados de formas distintas, tiveram momentos diferentes, assim como seus sentimentos e emoções.
Assim é na educação com a diversidade.
Estamos dispostos a nos relacionarmos com questões muito diferentes entre si e que muitas vezes são contrárias ao nosso direcionamento.
Há também que nos conscientizarmos que os alunos Ainda são imaturos e que vão acabar tendo atitudes inconsequentes, ou seja, eles não conseguem medir as consequências.
Inevitável, são jovens e estão caminhando por um mundo digital.
Avalio que ao terminar um curso superior por volta dos vinte e cinco anos, com base na nossa nova educação, eles possam ter adquirido maturidade suficiente para ultrapassarem o limite do Ainda.
Ainda não estamos totalmente prontos e todos nós seres humanos temos a nossa deficiência.
Uma das minhas tantas é não ter aptidão para o Basquete.
Felizes os adolescentes que desde muito cedo já tenham apreendido a sua vocação.
Porém nós professores não podemos depender apenas desses.
Eu aprendo o que ensino quando o Pronome é Você
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