Anterior à experiência
Pensei em escrever apenas quando estivesse na academia correndo no mesmo lugar.
Falando nisso, eu não coloco no celular uma imagem em movimento para imaginar que eu estou bicicletando num campo verde com subidas e descidas, ou numa areia da praia paradisíaca do Hawaí.
Como já disse gosto mais de escrever enquanto baico.
Adoro neologismos.
Nesse instante estou sentado, mas o busão está em movimento, até chegar no Terminal São Paulo em Sorocaba.
Ele sai quase vazio da rodoviária e como a passagem é a metade do preço no terminal, a maioria pega o ônibus mais barato.
Por tudo isso não admito a ideia que eu seja mão de vaca.
Rio porque rir vale a pena e não ficarei mais pobre por causa disso.
Inclusive estou radiante com o fato de ter me retirado do sedentarismo e ter começado a me movimentar sem cerimônia.
Sempre adorei a ideia do termo: Condicionamento físico e é incrível como o corpo se condiciona mesmo e pede continuidade de movimento.
Preciso melhorar apenas nos abdominais.
Esse exercício requer paciência e muito mais condicionamento.
Lembrei que mesmo na época do sedentarismo universal, quando deixava o meu carro na oficina, eu caminhava de volta para casa.
Depois, nem isso eu estava fazendo.
Eu gosto bastante de fazer, tanto que adorei quando apareceu o termo pedagógico: Cultura Maker.
Adoro esticar o tecido da camiseta e ir traçando as linhas e pintando algumas áreas de preto para realçar a imagem.
Não gosto de secar a louça, mas gosto bastante de lavá-la.
Outro dia comprei um detergente ODD, talvez por nostalgia.
Nem acreditei que isso ainda existia.
Claro que me lembrei do lava roupas Rinso, da Kollynos, da geleia Colombo, do Mentex e do Drops Dulcora.
Gosto de dobrar papéis e transforma-los em coisas tridimensionais a fim de que um papel possa ser mais do que uma folha em branco, mesmo que não sejam atritados por lápis ou caneta.
Interessante que comentei outro dia o que geralmente sinto na pele e na mente:
A música para mim é sazonal.
Passo um tempo sem me debruçar sobre ela e um tempo depois ela me reaparece.
Mora em mim por um tempo e depois descansa.
E ela é tão intuitiva que nem tudo o que considero pronto, considero digno.
As dignas eu nunca mais esqueço da letra e da melodia.
Esse digno para mim significa memorável, digno da memória.
Quase sempre é no Classic que eu cantarolo uma canção desse tipo.
Ontem foi: A gente faz Arte porque precisa, do contrário faria pão.
O pão aqui é o alimento fundamental que mata a fome física, na minha interpretação.
De fato Leonardo não pôs asas no seu anjo.
De fato só é preciso não vestir meu uniforme.
O moço tece a rede pra menina que pinta o corpo com a raiz e vermelha é a cor de toda graça.
A gente faz Arte porque precisa, do contrário faria não.
São coisas antes emaranhas que agora buscam criar sentido não comum, embora a ação criativa busque alcançar toda a comunidade.
A gente não faz Arte se acharmos que não precisamos e para quem é artista é impossível não fazê-la.
Todo dia e todas as horas, mesmo dormindo, as conversas internas versam sobre Arte.
Picasso disse sobre a ação artística o seguinte:
Ou é fácil, ou é impossível.
O que significa que para o artista é natural, original e intenso.
É fácil.
Para quem ainda não achou, ou nunca achará sentido nessa prática mental e física, é impossível.
Como professor/artista eu desejo e afeto para que pessoas possam acreditar nesse potencial pessoal.
Não é fácil, mas também não é impossível.
O que é preciso é continuarmos fazendo, fazendo e fazendo.
Não precisa ser nada artístico, ou extraordinário, pode ser ordinário, da ordem do dia.
Arrumar a cama, lavar uma loucinha e colocar no escorredor, colocar a roupa suja no cesto e de vez em quando tentar salvar o mundo.
Grandes poderes aumentam o grau de responsabilidade não é um texto do Homem-aranha.
É do Stan Lee.
Um ser humano cujo poder transcende o físico.
Não sei se ele pedalava, ou se exercitava no supino, o que sei é que ele era um intelectual engajado.
Como ele, talvez aquele senhor sentado na poltrona 14 possa surpreender seu público.
Numa outra viagem um senhor que faz e vende brinquedos para gatos, fez uma série de origamis iguais.
Fez com alguns flyers que ele ganhou na rodoviária.
No final da viagem, depois de elogia-lo pelo seu trabalho ele me presenteou com um dos pássaros.
Mais do que fazê-lo voar, quando cheguei em casa o coloquei no armarinho de trabalhos, mas não só.
Hoje ele acaba de alçar um novo voo
Comentários
Postar um comentário