Academias
Houve um tempo onde as academias eram lugares que acumulavam o conhecimento do mundo, o conhecimento intelectual.
Continua sendo assim, porém agora existem as academias do físico.
Não é como aquela piada horrível que diz que quando Instein saiu do banho e entrou no quarto, sua esposa disse:
QUE FÍSICO!
Não.
São lugares onde se tenta moldar o corpo, seja para o fisiculturismo, ou apenas para o condicionamento, em busca de uma vida mais saudável, já que nelas deixamos de cultivar o sedentarismo e passamos para um outro movimento.
Eu fazendo Bike - que nada mais é do que uma bicicleta ergométrica - fico de frente para uma televisão que mostra lugares pitorescos e gente praticando os mais diferentes esportes e seus recordes.
Comecei fazendo dez minutos na bike e já estou nos vinte e cinco.
Básico.
Ontem a TV mostrou cenas das pirâmides do Egito e eu fiquei meditando.
Li que as pedras das pirâmides foram trazidas até o local, sendo roladas sobre troncos cilíndricos de madeira.
Fiquei imaginando a quantidade de pessoas necessárias para colocar cada pedra sobre os cilindros e todo o trabalho dispensado para transformar tantas pedras em pirâmides gigantes.
Juro que fiquei com a impressão de ser bem mais fácil acreditar nos Deuses astronautas, ou seja, que seres vindo do espaço tenham feito as pirâmides com uma tecnologia muito além da nossa, naqueles tempos dos Faraós.
Passado o meu tempo de pensar no como foram produzidas as pirâmides, pensei nos seus túneis e câmaras, seus túmulos e relíquias.
Imaginei se entre tantos trabalhadores homens havia também mulheres que carregaram as pedras.
Nada de só Cleópatra, a tal mulher mais linda do mundo, mas outras mulheres lindas que sabiam como manejar os projetos e as ações naquele tempo.
Penso nas mulheres de Atenas do Chico Buarque e como ele, vejo o sentido diverso das entrelinhas da magnífica letra.
O orgulho e a raça de tantas mulheres, sejam de Atenas, do Cairo, de São Paulo, ou Itapipoca.
Mulheres são seres acima da média na maioria das vezes.
Claro que há exceções, mas em nós homens, as exceções são regra na maioria das ocasiões, infelizmente.
Digo isso me incluindo, é claro.
Daqui eu vejo meu joelho direito vindo pra cima e o esquerdo indo para baixo e vice-versa.
Hoje vou alcançar os trinta minutos.
Falo essas coisas sobre nós, os homens, depois de ter assistido a série Adolescência, que nada mais é do que um documentário daquilo que vivenciamos nas escolas, porém nessa série específica, fala-se do menino oprimido que se torna opressor. Em outros documentários o tema é o oprimido que se suicida.
Temas fortes que devemos enfrentar incluindo o afeto, a acolhida e a observação atenta.
Recebi hoje um pequeno vídeo onde um fotógrafo entrega uma câmera que tira até vinte e sete fotos.
Primeiro ele pergunta ao menino que está saindo da escola, como ele está se sentindo e o que ele gostaria de mudar, antes de sair para fotografar.
Ele diz rapidamente que ele gostaria de ser ouvido em casa sobre os seus sentimentos e que para isso os pais deveriam deixar de lado os celulares e deveriam trabalhar menos para que pudessem ser mais divertidos ese divertissem mais.
Utopia, claro, mas foi a resposta exata ao conteúdo chocante da série.
Não entenda que excluí as mulheres dessas reflexões sobre a adolescência.
Na série é a menina que morre a facadas.
Que não pairam dúvida que ela é a vítima, apesar de ter aquelas características que movem-se através das agressões veladas nas redes sociais.
A Figura do Pai é extremamente definidora do limite que as pessoas impulsivas devem atingir.
Há um limite, claro.
O Pai é adulto e nos faz refletir sobre como deveríamos agir em família, seja ela do formato que for.
Receber o vídeo do menino que quer divertir-se com seus pais que o ignoram é emocionante.
Nas academias estudamos comportamentos e muito mais.
Num make off de uma série italiana maravilhosa ouço a frase:
Há que nos adaptarmos às mudanças, para que nessa adaptação acabemos por deixar tudo como está.
Isso é inadmissível, mas é a verdade do sistema.
Acabo de estabelecer meu recorde na bicicleta.
Quarenta minutos
Comentários
Postar um comentário