Sinais
Hoje escreverei sobre sinais.
Dentro do ônibus circular que está me levando pra casa, o moço do caixa, também conhecido como cobrador, bate uma moeda no cano de metal e o motorista entende que é para fechar a porta de saída dos passageiros.Chico Bosco nos mostrou que a maioria de nós dá palpites muito antes de saber mais sobre as questões envolvidas.
Fala e emite opiniões sem aprofundar-se sobre o assunto.
Sinal de despreparo.
Ao atravessar a rua que me leva até em casa, depois de comprar filõezinhos na padaria, a motocicleta me dá sinais de que a pessoa que a pilota deseja ardentemente ter uma morte rápida e assustadora, já que empina a motocicleta passando no sinal vermelho.
Dizem que o vermelho é sinal de paixão e portanto, aquecimento, fogo.
Aqui fora faz quarenta graus, fogo, aquecimento, forno.
Logomarcas nos dão o sinal do significado do empreendimento.
No caso de uma loja de bolos caseiros que fica ali do outro lado da rua eu tenho dúvidas sobre a autoria da obra.
Várias pessoas veem no desenho, uma pessoinha dançando.
Depois de um olhar mais atento percebo que não.
É um fogão com a porta do forno aberta e aquilo que as várias pessoas pensavam ser uma pessoinha dançando, é a fumaça que sai do forno.
Pego-me rindo.
Com sinais de maldade no meu coração, digo que foi o filho do dono que teve a ideia da logomarca e a desenhou.
Rio novamente.
Um sinal que esteve fechado durante a manhã de ontem.
Sinais.
Vários semáforos sem sinal, sem luzes vermelhas, amarelas e verdes e o trânsito ficou caótico, em mais um sinal de ansiedade profunda da cidade grande.
Parece que o meu único sinal de nascença foi ter vindo ao mundo às 15 e 15, em Curitiba.
Tudo bem que tenho algumas pintas rubi na cabeça, mas não as considero sinais tão evidentes como manchas que aparecem misteriosamente quando as mães não comem aquilo que elas tinham vontade extrema na gravidez.
Acho bonito acreditar no mistério que envolve sinais nas mãos, pensamentos mágicos, relações entre os astros, traumas gerais pelos quais todos passam, mas uns atravessam situações muito mais drásticas do que outros.
Sinais e relações são verbetes muito interligados, conectados da mesma forma que o verbete religião.
Re ligare, ligar novamente, fazer a nossa interligação entre o céu e a terra.
Quando criança eu adorava dois sinais na televisão.
Os de fumaça nos filmes de faroeste e aquele do coiote do papa léguas.
Sim.
Adorava exatamente quando o coiote passava do ponto do desfiladeiro, ficava alguns segundos estático pairando no ar e depois caía.
Nada disso era mais interessante do que a fumacinha que vinha lá de baixo.
Êxtase total e eu comendo os confetes de chocolate do sacão comprado na Eleltroradiobrás.
Sinais dos tempos.
Da Eletro vinham os primeiros Danones, hoje conhecidos como yogurte.
So exitia o natural, o de coco, o de abacaxi e o de morango.
Quando falei do sacão de Confete pensei noutro sinal dos tempos, afinal a embalagem era enorme e o preço razoável, hoje o nome do confeito se resume em duas letras sem contar o sinal &, com quantidade resumidíssima e com o preço nas alturas.
Olho pra fora da janela e alguém me faz um sinal com a mão e outro com a cabeça.
Era o moço da entrega que tem uma cicatriz na testa que atesta uma queda feia que teve na infância.
Como sei dessa história?
É apenas mais um sinal que eu tenho alterações cerebrais que me motivam à invenção.
Um sinal da alegria que me sinaliza a seguir em frente
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