Ahahahahah

 O meu texto já começa com Ahahahahaha e não com Kkkkkk.

Começo dando a ele e a mim uma conotação antiga, um tanto velha, mas não capenga.
Acabo de passar na catraca de entrada do Metrô.
Nela há um visor transparente onde aparece escrita a frase: Aproxime o Cartão Top.
Logo abaixo está aquele símbolo que indica Aproximação.
Juro a você que muitas vezes coloquei o cartão sobre o espaço transparente e me foi permitida a passagem.
Hoje foi diferente.
Aproximei e nada.
Aparecia a mensagem: Cartão não identificado.
Depois de várias tentativas um jovem policial militar veio me auxiliar.
Ele já estava na mira, usando seu próprio cartão, quando viu que eu já tinha o meu.
Pegou e aproximou o meu cartão do símbolo correspondente que se encontra abaixo do espaço transparente.
Logo a cancela se abriu.
Eu, um tanto curioso fiz uma pergunta meio insegura.
O cartão deve ser aproximado nesse espaço abaixo?
Ele acenou com a cabeça que sim, olhando de forma cínica para o seu colega de trabalho.
Esse prólogo serve para orientar você que me lê sobre o intuito de iniciar essa auto reflexão.
O olhar do guarda me chamou a atenção para como a maioria das pessoas mais novas enxergam as pessoas que envelhecem.
Além da mochila que levo nas costas eu tenho nas mãos dois discos de vinil.
Um do Milton Nascimento e outro do Peter Gabriel.
Dois senhores acima dos setenta.
Geniais artistas que eu admiro, sabendo que o prefixo AD significa dentro e MIRAR, olhar.
Uma admiração olha por dentro, muito além da aparência.
Sei que a minha situação mistura a minha aparência e também um tanto da minha atitude, afinal não soube colocar o meu cartão Top no local com o símbolo de aproximação, mas juro novamente que sempre o coloquei no visor transparente e me foi permitida a passagem.
Ahahahahahahah
Rio porque ainda estou são e dono das minhas boas faculdades mentais.
O que me intriga e intrigou sempre foi a nossa incapacidade de avaliarmos as muitas perspectivas sobre um mesmo fato.
O policial deu um sorriso sarcástico e isso me motivou, me impulsionou no meu fazer criativo e constantemente reflexivo.
Nunca estou certo que isso é muito bom, ou muito ruim.
Isso é a nossa vida que pulsa, que nos anima com um coração de estudante, flor mineira e canção que Milton interpreta.
Na minha próxima inserção no Metrô vou aproximar do símbolo como fez o moço policial.
Mais tarde contarei qual foi o resultado da ação.
Em todo caso, não perderei a graça.
Kkkkkkkkkk

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