Ponto de equilíbrio
Há muito tempo ando externando que depois dos sessenta anos o meu cuidado é com o equilíbrio.
Também faz tempo que elogio o titulo do álbum do Renato Russo cantando em italiano:
Equilíbrio distante.
Enfim, a minha vida é definida pela possibilidade de adquirir algum equilibrio, já que para quase tudo eu sou exagerado.
Era.
Depois dos sessenta eu não tenho mais espaço para tanto exagero ansioso.
É um exercicio cotidiano e constante.
Hoje fui a um atendimento bancário e exercitei este ser equilibrado.
Foi assim também no dia de um bate-bapo no Sesc sobre Arte.
O exercício do ansioso sessenta mais é ouvir mais.
Esperar atentamente pelo momento de comentar.
Equilibrio nas finanças, no exercício físico, na conversa e em tudo o que demandar contato com as outras pessoas.
No início a minha intenção era falar sobre o equilíbrio motor.
Ele já não é mais o mesmo e o exagero pode acarretar consequências desastrosas.
Meu cuidado é segurar sempre nos corrimãos.
Este é o terceiro ano que procedo desta maneira ao subir e ao descer escadas.
Tenho um certo fascínio por subir rapidinho as escadas rolantes do metrô.
Preferencialmente as grandes.
Como estou condicionado pela hora diária de bike, não sinto a subida rápida.
O condicionamento ajuda na ideia do equilíbrio, seja ele de que espécie for.
Equilibrar a digestão de sal e açúcar.
Equilibrar a quantidade de peso para as pernas e braços.
Equilibrar-se na travessia de uma calçada à outra.
Acreditar sempre e não desistir.
Como diz um Competente Treinador de futebol: Acreditar nos processos.
Muita gente já disse e já escreveu sobre isso, mas não é exagero repetir.
De nada adianta ganhar num ano e depois ficar mais quarenta esperando na fila.
Não vamos ganhar sempre, mas sempre acreditaremos nos processos.
Condicionar o corpo e a mente a não desistir de tentar, experimentar, falhar e acertar.
Arriscar sempre e mais, mesmo que eu tenha uma natureza tímida, resguardada, introspectiva.
Já ouvi aquela história: Ah, mas você parece tão extrovertido.
Mais um ganho da experiência de experimentar.
Nada pode ser mais nocivo e prejudicial do que ficar parado literalmente.
Numa ideia fixa, num processo imutável, num recusar de tarefas necessárias.
Meus professores precisavam de um auxiliar e eu, sem a menor noção do que era o fazer pedagógico, fui fazendo, fazendo e fazendo.
Com certeza é a tal luzinha acessa aqui dentro, desejosa de se fazer iluminar.
Todos temos posse e o nosso cuidado é cuidar do equilíbrio.
Viajar voando num.avião era um poderoso alienador para mim.
Pus na cabeça que o voo de ida e o de volta seriam suaves e que aquela não era hora de eu virar notícia por causa de um acidente aéreo.
Palavra interessante: Acidente.
Eles acontecem e no processo temos que estar preparados.
Cuidar é precisamente necessário.
Ele nem está distante, ele está diante dos nossos olhos.
Resta-nos mirá-lo nos olhos e os olhos do equilíbrio se abrirão como por encanto
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