Sons conhecidos

Comecei a digitar no celular e a cada letra que tocava eu ouvia o som.
Toc, toc.
Interessante transformar o som em palavras.
É apenas um exercício, afinal nem sempre acontece da palavra ser igual ao som.
Tic tic nervoso é famoso.
Fazer um pic nic nem se refere ao som, pelo que eu saiba, mas o que sei é pouco.
Bem-te-vi é bem parecido.
Tô fraco da galinha d'angola é muito parecido e por aí vai.
Ontem quem nos levou para casa foi o nigeriano Ethans.
Ao perguntar-lhe sobre o seu nome ele foi logo respondendo que o nome tem a referência na colonização inglêsa no seu país de origem.
Saiu de lá há 33 anos e adora o Brasil.
Terra da multiplicidade, segundo ele e segundo eu também.
Adoro, apesar que no mundo inteiro, tudo é grana e quase todo mundo corre atrás dela.
Alguns nem correm e vão multiplicando a grana, sem olhar para a desigualdade tão próxima.
Esperando o ônibus que me levou até o metrô, vi este adesivo colado no tapume no prédio em construção:
Tudo é Grana.
Já escrevi aqui, mas não custa lembrar.
O prédio em construção está no Bairro Itaim Bibi em São Paulo, onde no mesmo tapume está a placa indicando o financiamento do Município para CONTRUÇÃO DE FINALIDADE POPULAR.
Popular?
No Itaim?
Tudo é grana, meu povo.
Interesses muitas vezes escusos, que exploram e usurpam as riquezas naturais que não os pertence.
Espanhóis, Portugueses, Ingleses, Holandeses, Belgas e hoje, preferencialmente os Estados Unidos da América do Norte.
Pilhagens, roubos, extermínios.
Vocês acham isso bonito?
Claro que não.
Porém, a nossa força parece pequena e contraditória frente a essa realidade.
Interessante pensar que a Netflix trouxe de volta ao top 10 de séries, a sensacional: O conto da Aia.
Um livro escrito por uma autora canadense que parece ser uma premonição com os tempos atuais.
Não escolheu os EUA por acaso, para ser um país dominado pelo Patriarcado fanático religioso, num mundo onde as mulheres, por um motivo que ainda não me foi revelado, não são mais férteis, ou dão à luz a natimortos.
Uma casta de mulheres é selecionada por serem férteis, para gerar filhos para as famílias dos Senhores Comandantes.
Um mundo distópico, tal qual este onde vivemos e estamos quase sempre por um fio, a mercê de fanáticos suprematistas.
O artista do suprematismo Malevich, entendeu que para atingir o Supremo ele precisava simplificar, resumir, até chegar na sua Obra, Quadrado branco sobre fundo branco.
O contraste dos dois brancos acontecia pela contraposição de brilhante e fosco.
Esta, por exemplo, é a diferença da Arte.
O fanatismo destrói, a Arte simplifica e constrói.
O som transformado em palavras é como as gotas atingindo a rocha.
Pic pic pic
Tanto bate até que Bum.
Fura


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