Novamente

Novamente eu acho muita graça quando o busão pra Sorocaba nem encostou ainda na plataforma e o povo se aglomera no portão de embarque como se o busão fosse partir sem algum deles.
Essa graça é reflexiva, claro.
Uma situação simples onde demonstramos nossa ansiedade ampliada pela velocidade com que tudo caminha.
Mostra também que a minha insistência em ficar sentado, esperando nos assentos de fora, faz parte da experiência de um ansioso, agora bem mais paciente.
Aquela história de ouvir mais e falar bem menos está instaurada em mim.
Ainda sou um contador de histórias obviamente falante, mas bem mais econômico.
Esta simplicidade deveria ser uma ferramenta muito produtiva no sentido de fazer a nossa vida mais fluida.
Hoje ouvi uma frase sensacional sobre o nosso egoísmo.
Eu não sou egoista, porque eu sou prioridade.
Confesso que eu não comungo dessa ideia prática, mas foi importante ouvir com tanta sinceridade.
Faz-me permanecer com a ideia de levar a vida com simplicidade, afinal sermos prioridade dá uma dor de cabeça para o prioritário e para os que o servem.
Isso acontece porque não há pessoa que suporte a pressão de estar servindo o tempo todo.
Claro que deve haver exceções, porém devem ser raras.
Eu prefiro ser a minha prioridade, expressa na minha frase: Eu só peço aquilo que eu sou capaz de fazer.
Porém, essa frase do meu prioritário faz de mim um fazedor contumaz.
Porque eu faço muita coisa e preferencialmente a serviço.
Desta forma também é difícil que os outros façam as mesmas coisas com a mesma intensidade.
Aí eu vou lá e faço.
Faço porque acho bonito e desta forma não espero reconhecimento ou favorecimento.
São tão bonitas as formas de conexões e trocas, que realmente me deixa feliz e preparado para mais histórias e refinamentos.
Estamos todos no ônibus e ninguém perdeu a viagem.
Inclusive as viagens fazem parte da coleção de exemplos que eu posso inserir nas minhas aulas.
Aula para mim é território eterno de trocas.
Quem sabe algo a mais sobre os temas vai se colocando em gestos, palavras e ações, cada um com seu jeito e até os seus silêncios.
Novamente a simplicidade é a forma que a Arte encontrou de estar presente sem ser prioridade


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