Lá Rá Rá
No caminho encontrei um moço sentado na beirada da entrada de uma loja fechada, com a cabeça baixa, os cotovelos nos joelhos e numa das mãos um saquinho de MMs com amendoim.
Pareceu-me com uma triste expressão.
Do outro lado da rua as duas demolições das duas esquinas estão encerradas.
Tudo plano já que o plano é a construção de dois edifícios.
Talvez o moço só estivesse cansado e não tinha forças nem para, com a outra mão, pegar uns confeitos dentro do saquinho.
Em Portugal é só Saco.
Saco pequeno, médio e grande e todos pagos com centavo de euro.
Quando entrei numa loja de armarinho, administrada por uma senhora que usa uma muleta canadense, comentei a respeito do Saco.
Ela gentilmente me disse que o português falado no Brasil é muito mais melódico, aveludado e mais bonito.
Além disso garantiu que o atendimento dos portugueses é mais bruto, os ingleses são mais fechados, porém muito educados e os franceses são arrogantes.
Rio porque sei que existem pessoas com todas essas caracteristicas em todos os lugares do mundo, mas entendo a generalização.
Lisboa é uma cidade do velho mundo com 640 mil habitantes que é muito organizada na modernização.
As embalagens dos produtos sempre me chamam à atenção.
Eu me daria bem com comunicação visual, mesmo sabendo que já me comunico visualmente.
E no blá blá blá também, já que com todos os motoristas de Uber eu bati o maior papo.
Veja que havia motoristas de todos os lugares do mundo.
Peguei duas vezes o carro do Reinaldo Carioca.
Aposentado como engenheiro eletrônico na HP, foi pra Lisboa com a mulher e dois filhos.
Os filhos estão estudando e o mais velho poderia ir estudar na Universidade de Coimbra, mas preferiu a estabilidade da casa dos pais.
O mais novo já é diferente, quer desbravar o mundo como os navegadores de antanho.
Desconflito de gerações.
Rio porque muitas falas irônicas devem ser explicadas para muitos incaltos no mundo inteiro.
Sei disso assisitindo a série norte americana, The Big Bang Theory.
Olha, o que vou falar contém ironia! Esta frase estaria estampada na camiseta, ou no QRcode.
Aqui eu sigo pensando em pintar e desenhar no bloco circular de papel italiano para aquarela que a minha fiha Maira me deu.
Isso além de muitas canetas Poscas de diferentes expessuras.
Tudo isso comprado numa loja que poderia estar no Brasil, mas estava em Lisboa, com mais possibilidades de produtos da Europa.
Daquelas lojas onde os artistas se sentem como numa doceria fina, com aquela vontade de levar a loja toda.
O moço deve ter acabado com os confeitos e agora deve estar pensando em voltar pra casa.
Do outro lado da rua há um ponto de ônibus que a Claro agora chama de Ponto Amigo.
Eu gosto de amigos e Ponto.
Espero que ele tenha vários deles, capazes de transformar sua expressão numa face com mais esperança.
Sou nutrido com esperança, bom humor e otimismo incuráveis.
Veja só:
Antes de irmos viajar para Portugal todos perguntavam o que íamos fazer naquele calor do Saara.
Eu sempre retrucava e acabei por estar certo.
Lá sentimos na pele a mesma temperatura de São Paulo em todos os dias e uma Brisa a tardinha, que fazia a alegria dos passeios da Maria no colo do vovô.
Era só eu começar a descer as belas escadas de madeira e ela já mexia seu corpinho inteirinho bem feitinho de graça e fofura.
A brisa no rosto, um ventinho e o sorriso da menininha linda.
Que algo desta expressão possa enfeitar o rosto do moço tristonho e possa encher de vigor aos que precisam tanto e têm muito pouco
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