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Calçada onda

Encontrar nas ruas de Lisboa algumas calçadas com a marca de copacabana foi interessante.
Encontramos na neta Maria uma maravilha em toda a sua grandeza.
Uma atendente do mini shopping resumiu de forma categórica: Ela é toda bem feitinha.
Linda.
Acabamos de ouvir três adjetivos da maravilha.
Simpática, Linda e Brava.
Na maior parte do tempo ela tem um temperamento encantador.
Um pastel de nata de Belém, embora seja delicioso, não chega aos pés da sua doçura.
Encontramos em Lisboa, a filha querida, o genro muito além da inteligência, sendo que os dois nos orientam na caminhada, guiados pela princesa cor de rosa.
O rosa choque só acontece quando ela quer outra atenção, porém é rápida esta passagem porque ela se contenta com qualquer brincadeira e chiados.
O que acontece é que ela necessita de muito movimento e histórias contadas aos cantos.
Nem eu, nem a filha Maira, sabemos de quem ela puxou tal eletricidade.
Rio porque estamos, eu e ela a movimentar as mãozinhas e os pezinhos.
A marca de copacabana é a calçada feita com pedras brancas e pretas em forma de ondas, idealizada pelo grandioso Burle Marx.
Toda gente de todos os cantos do mundo nestas férias europeias e a gente fazendo o caminho fora das áreas turísticas.
Mais ou menos fora, já que fizemos algumas visitas turísticas, mas entrando por caminhos que os lisboetas sabem que não são pega trouxas.
Lisboa é uma cidade de uma chiqueza muito linda.
Tudo é bonito sem perder a arquitetura original, com poucos prédios modernosos e discrepantes em relação à cultura portuguesa.
Aqui no Campo de Ourique já temos a referência da praça arborizada com seus cafés e frequentadores assíduos.
A praça da farmácia é o point de onde avistamos nosso pequeno mercado.
Dentro dele a mesma elegância da cidade.
Todas as embalagens são bonitas e os produtos igualmente belos.
Todos os almoços estão sendo excepcionais, com peixes, carnes, legumes, arroz e batatas preparadas de todas as formas.
Quando eu escrevi arroz me lembrei que ele vem em porções bem prquenas e isso é ótimo.
Isso quando pedimos arroz, afinal as batatas são essenciais nos pratos portugueses.
Passeando ficamos felizes e muito adaptados à rotina da bebê e dos pais.
Ah, nascer num 13 de maio e poder estar no Santuário de Fátima lembrando da Cova da Iria e da canção que a dona Anna cantava pra ninar seu primogênito.
Eu.
A primogênita da Maira, Maria.
E assim seguimos o bailado no ritmo do fado da fadinha.
No restaurante da cidadela encontro um pão divino, conhecido como Pão de mistura, já que é feito de trigo e centeio.
Adentramos à estação do Metro, depois de um sorvete e um café e ali encontramos um painel com altos relevos surrealistas.
Entre eles uma máquina de salgadinhos.
Entramos por um lado da grande avenida e saimos pelo outro, dando de cara com o Centro Saldanha.
Foi ali no Saldanha que a Maira foi buscar a Carteira de Cidadã da filha Maria, já uma pequena lisboeta.
Assim descansamos já pensando nos passos de amanhã pela capital do país que acabou encontrando o Brasil, através do senhor João Ramalho, que rapidamente incorporou o modo de viver dos nativos brasileiros, sem perder a sua origem militar.
Ressaltei essa última palavra pra dizer que acabou por ser líder da tribo nas guerras que eles travavam nas terras tupiniquins.
Eram Tupiniquins mesmo.
Pareceu-nos não ser coincidência a Maria ter iniciado a comilança da sopinha no momento de estarmos aqui.
A menina linda é boa de colher e adora comer sozinha mesmo tendo apenas seis meses.
Hoje ela aprendeu a comer ervilha torta, antes de devorar um pote inteiro do creme de chuchu com abóbora, que o papai fez com esmero e manualidade.
Esmero e manualidade dos artistas concentrados no jardim magnífico do Centro de Arte Moderna Gulbenkian.
Um jardim aconchegante, que congrega habitantes e turistas lendo e passando um tempo respirando meditação e encantamento.
Um tatu bolinha nos recebeu já na entrada.
Patos, tartarugas e carpas trouxeram movimento às aguas todas que permeiam o parque.
A obra do Bruno Zhu trouxe momentos de múltiplas perspectivas, propondo ângulos de visão do espaço do museu e suas obras adjacentes.
As obras de três artistas diferentes faziam referência ao desenho de perspectiva e cada uma se relacionava com a cor de fundo da parede.
Vermelha, amarela e verde.
Um debate produtivo com o João Miguel e a Rafaela, mestrandos em filosofia da Arte.
O tapete na parede, a parede no chão, um único manequim sendo projetado em quatro espelhos dentro de quatro caixas brancas, que eram vistos através de buracos no formato dos quatro naipes do baralho.
Um naipe para cada caixa.
Claro que a lojinha do museu além de ser visitada, foi motivo de compras de lembrancinhas e memórias de quando a Sandrynha foi gerente e curadora da lojinha do CCBB em Sâo Paulo.
Para não esquecer precisamos falar do artista conceitual português Rui Valério, que nos apresentou uma colagem de fotos em movimento de capas de disco produzidos desde 1930 até 2023.
Além das imagens projetadas em stop motion, ele teve a imensa ideia de colar micro trechos das músicas pertencentes aos discos escolhidos.
Cinquenta e nove segundos de uma ideia sensacional, naquilo que o sensacional tem das melhores sensações.
Cá estamos a descer pelo elevador panorâmico encontrando um filé de atum no ponto exato que pela primeira vez me pus a provar.
Almada é do outro lado do rio, exatamente onde o nosso restaurante está a chama-se Atira-se ao rio.
E não é que dá vontade mesmo?
Porém é demasiado temerário, como nos disse sorrindo o Giovani, moço vindo de Angola e esteve a nos servir.
Quem nos devolveu à casa foi o moço de nome impronunciável vindo do Nepal.
Acabo de deixar a Sandrynha na massagem e fiquei a passear com a Maria no meu colo da forma que ela mais gosta, que é de costas para mim e de frente para o mundo e todas as suas coisinhas, sendo que a preferência gira em torno das plantinhas verdes.
Pronto.
Salta um galhosinho do muro amarelo e ficamos um tempo com ela segurando um conjunto de três folhinhas.
Ah, como não falar do tráfego de veículos.
Todos os motoristas sabem que devem andar bem devagar, afinal em todos os cruzamentos, se tiver alguém para atravessar, obrigatoriamente os veículos devem parar para que o transeunte atravesse a rua.
Claro que eu não vou comparar com São Paulo, mas bem que Sorocaba poderia incorporar essa cultura, afinal Lisboa tem 658 mil habitantes.
Acabei de chegar do Pimpão, que além de ser uma casa lotérica é onde eu fui pegar a encomenda da Joana, que nada mais é do que uma Caixa Gigante com Chuchas, que também nada mais são do que a nossa famosa Chupeta.
Hoje em dia muda-se o volume da dita cuja, conforme o desenvolvimento da criança.
Nos faltava conhecer o Sistema de saúde português.
Senha B68 para atendimento de emergência porque a dor lombar da Sandrynha piorou.
Conseguimos chegar e conseguimos caminhar até a zona de atendimento.
Luís acaba de nos devolver os documentos e estamos esperando chamar-nos pelo nome.
Tudo muito parecido com o Brasil e uma diferença visual é a presença dos Bombeiros, que trazem os pacientes nas macas.
No caso brasileiro, são as ambulâncias do Samu, porém o que percebemos é que as ambulâncias aqui aparecem aos montes.
O pica-pau e suas iguarias maravilhosas, sendo que bem no começo do corredor há um balcão de doces que são servidos como sobremesa.
Já gostei do confeiteiro que ao ser perguntado se o doce do balcão era um creme brulê.
Na lata ele disse que ele copia, mas faz melhor, ou seja, inventa em cima do original.
Acaba por criar outro doce original.
Com o Cinquecento cinza passamos pelo mirante e voltamos para casa sem antes dar uma passada na farmácia.
Ali, mais um aprendizado sobre o português.
Atendido pela Lilia, ela observou a receita e me disse que a doutora Juliana havia pedido vinte comprimidos, mas uma caixa vinha com quatorze e sendo assim só poderia me vender uma caixa.
Cobrou. Paguei e levei o saco pequeno para casa.
Ao chegar abri o saco e ali havia duas caixas do medicamento.
Quase voltei para devolver mas o Guilherme me disse para olhar a nota porque era certeza que ela havia combrado duas caixas e as colocou no saco.
Guilherme me falou que eles fazem assim mesmo, dizem que não podem fazer de tal maneira, mas no final acabam por fazer.
Dicas e mais dicas das variadas formas de ser português.
Não é apenas em Lisboa e no Rio de Janeiro que temos a estampa da calçada projetada pelo magnífico Roberto Burle Marx.
A calçada está nos livros e nas mentes que viajam de uma ponta à outra, flutuando nas ondas da Arte, do Esporte e da Ciência









 

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