Álbum tópico
Os meus sonhos são sensacionais no sentido que as sensações são uma mistura de histórias e algumas delas recorrentes.
A maioria deles têm a ver com o colégio que por dezessete anos ministrei aulas em Campinas.
Nunca é um dos três prédios existentes, mas a ideia é que seja o colégio.
Nos sonhos sempre estou atrasado, buscando o quadro de horários das aulas.
Nada disso funciona como na realidade.
Gosto sempre de chegar bem antes das aulas começarem.
Eu digo e é verdade, que é para sentir o ambiente.
Nos sonhos sempre é uma sequência de procuras por salas infinitas e ninguém sabe dar uma informação sequer.
Todos desconhecem.
O sonho de hoje mostrou algo inédito.
Eu consegui ter um aparelho celular que eu conseguisse fazer uma ligação.
E liguei justamente para o meu pai, que me falou sobre o Palmeiras não conseguir fazer o segundo gol.
Neste momento a voz da Alicinha aparece no fundo perguntando quando acontecerá o segundo gol.
No mesmo instante o Palmeiras faz o gol contra o Cruzeiro.
Rio e pergunto: Por que o Cruzeiro?
Talvez seja aquele dois a zero no Mineirão que passa repetidas vezes no YouTube.
No Instagram um sujeito conta uma história sobre sincronicidade.
Um ator britânico precisava ler um livro sobre o enredo da peça que ele foi convidado a estrelar.
O livro estava esgotado e fora do catálogo.
Eram os anos 70.
Procurou pela Londres inteira e não encontrou.
Sentou-se num banco de praça e ao seu lado encontrou jogado um livro.
Era o tal que ele procurava.
Notou que estava cheio de anotações e sublinhações.
Um tempo depois ele conversava com um amigo que disse haver emprestado um livro para um amigo que teve o carro roubado com o livro dentro.
Um livro com anotações e sublinhações.
O ator britânico puxou o livro de dentro da mala e disse:
É esse.
Um sonho entre tantas histórias, como todos os sonhos nos quais tenho um celular e nunca consigo teclar o número que desejo.
Assim como nunca acho o carro que estacionei numa determinada rua.
Quase sempre a rua na qual estacionei é semelhante a do Shopping Sorocaba, só que sem o shopping.
Um terrenaço de terra que vem lá do atual corpo de bombeiros, ou é o terrenaço da zona norte de Sorocaba, sem as inúmeras casas que por lá existem agora.
Tudo isso relacionado com minha vida e minhas passagens pelas escolas e situações cheias de alegrias e espantos.
São quarenta e três anos de professorado artístico que nesta quinta-feira foram relembrados nos bate-papos e nas fotos e vídeos, no teatro do Sesc Sorocaba.
Aconteceram bonitezas no Sesc.
Para mim um relato emocionante, portanto significativo, foi o da super bailarina e coreógrafa Ismênia, que viu na última edição do Terra Rasgada uma instalação pintada por mim que denominei: A Capela.
Com traços preços e tons de azul eu representei, uma figura colada à outra, com cenas e personagens da história da cidade de Sorocaba.
Uma professora levou seus alunos para observar a obra e não conseguia entender ou identificar as figuras, até que as crianças começaram a identificar peixes, pássaros, indígenas, bandeirantes e a Nossa Senhora da Ponte.
Até hoje nós, os adultos, formados e deformados, somos mais alienados.
As crianças em formação vão decodificando este mundão louco.
No bate-papo foi enaltecido o trabalho coletivo.
Sem ele eu não vivo.
Abraço fortemente essa questão.
Não sou sozinho e muito menos solitário.
Preciso dos outros no plural.
Na pluralidade das suas causas e consequências.
Também no bate-papo foi dito que o Movimento Terra Rasgada, que unia Teatro, Dança, Música e Artes Visuais, aconteceu porque havia na época uma atividade artística coletiva na cidade que propiciou a sua realização.
Assim eu digo que a autora canadense percebeu em 1985, que uma avalanche fanática em nome de Deus estava se aproximando.
O conto da Aia é atualíssimo.
Cuidemos pois e cuidemos com seriedade, afinal existem os inimigos da Cultura como fenômeno antropológico.
Cuidemos da nossa real idade, enquanto sonhamos com enredos criativos e eternos.
Adoro colagens e elas se servem da diversidade de materiais.
De nada adianta nosso blá, blá, blá para quem não deseja sair do seu conforto deformado.
Transformemos pois, com o solo do Gilmour em Time, do álbum The dark side of the moon, nossa identificação com as pedras que rolam
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