Tempos assim
Sentado, almoçava.
Via em frente uma família de japoneses muito felizes.
O pai, aquela simpatia.
Pensa num cara boa gente, conversando com o filho, a esposa e a filha.
Ele parecia falar coisas suaves e engraçadas, mas ao mesmo tempo parecia aconselhar de alguma forma o filho.
A filha e a esposa mais introvertidas, porém muito participantes da harmonia.
Saíram e no lugar deles, outra família.
Ali estava a prova exata que não é possivel dar um veredito sobre observações instantâneas.
Um pai, senhor como eu, uma mãe com corte de cabelo moderno, um filho adulto jovem e o outro um tanto mais velho.
O mais jovem estava falante, usava jeans e camiseta e estava sendo observado atentamente pelos pais.
Já o mais velho, uma vestimenta mais austera e um semblante ausente da cena.
O mais novo sacou o celular e o mais velho impávido.
Foi só chegar a comida que tudo foi alterado.
O moço mais velho desatou a falar pelos cotovelos e o pai e a mãe só ouvindo.
Vez ou outra, um pitaco, um sim, um não.
Você deve pensar que os charutos de repolho do meu prato esfriaram com tanta observação.
Qual nada.
Vieram esturricando de quente e os comi em minutos.
Aqui sou como meu pai.
Eu e ele não parávamos para mastigar.
O sabor maravilhoso do charuto apareceu segundos após eu ter me dirigido para o garçom amigo dizendo:
Vou fazer uma brincadeira nada agradável com você.
Ele me disse: Manda.
Você sabe se foram plantar o repolho?
Ele quase morreu de rir.
Como já disse, em dois segundos o prato apareceu na nossa frente.
E o garçom amigo engatou um papo rápido e bacana, com sotaque, colocando mais tempero nesta alegria.
Que tudo é relativo eu não tenho a menor dúvida.
O que acontece é que com o passar do tempo a gente vai perdendo a paciência para esperar, ouvir, refletir e emitir uma opinião sensata.
E mais do que isso.
Dupla paciência no diálogo.
Um fala, o outro ouve, o que ouviu coloca um ítem experenciado, o outro acrescenta um tanto e o papo vai trazendo.mais sabedoria para ambas as partes.
Eu venhontrabalhando a minha impaciência italiana gestual.
Por tudo isso discordo totalmente da expressão muito usada hoje em dia que garante que ninguém deve ser julgado.
Eu devo ser julgado sim.
O que eu posso fazer é, de forma equilibrada, refutar o julgamento com o meu ponto de vista, que não descarta o do outro de forma resistente e restritiva.
Interessa-me a opinião e o palpite do outro.
Esta é a vida que inclusive demite as pessoas dos seus cargos porque a empresa está em reestruturação.
Desta forma e a partir daí, quem tem que se reestruturar é o funcionário.
O acontecimento pode ter nascido de uma falta de diálogo e o julgamento do funcionário deveria ter sido pontuado no decorrer do seu processo de trabalho.
O funcionário, que é um ser humano totalmente passível de erro, deveria ser esclarecido, sob a perspectiva empresa, sobre onde ele estava falhando.
Cito este exemplo para enfatizar que estamos sendo julgados o tempo todo e pode até ser que a empresa faça este processo de esclarecimento para os funcionários quando acontece uma ação fora dos protocolos.
Há que haver equilíbrio.
Não acredito que haja superiores.
O que há são pessoas dispostas a trabalhar para o desenvolvimento do bem estar.
O que se julga superior já começa errando no pedido do prato.
Está sentado com as pernas e os braços escancarados e fica chamando o amigo garçom com incessantes Psius.
Mastiga com a boca aberta e assoa o nariz no guardanapo
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