Simbiose antropófaga
Lá se foi o último caminhão de terra, saindo da demolição das casinhas.
Foi-se levando os últimos entulhos e restos de terra.
Creio que a construção futura não será um prédio, mas uma Galeria de comércio, já que não há máquinas afundando o terreno para dar vida a um profundo alicerce.
É uma crença minha.
Hoje na viagem ouvi o famoso professor doutor ateu falando sobre seu próximo livro.
Está pesquisando, pesquisando e pesquisando pela vigésima vez a vida de Jesus.
Não devo esquecer que a mim basta apenas um ensinamento do mestre Jesus, qual seja, Amar o próximo como a mim mesmo e isso quem fala é um cara que se ama sobremaneira.
Enfim, o famoso pesquisa muito e quanto mais pesquisa mais aprende e nos ensina.
Não cabe aqui eu relatar tantas coisas que ele vai estudando e amarrando em seu próximo livro.
O que cabe aqui é o respeito dele para com todos os que acreditam em inúmeras religiões e acreditam em inúmeras ações que nós humanos temos que empreender para que benefícios sejam alcançados.
Normalmente os benefícios são materiais, como a cura de alguma doença, por exemplo.
Respeito.
Só ressalto a quantidade de túmulos de Jesus que ele já visitou, além das descrições de Mateus, Marcos, Lucas e João e também das descrições de Paulo.
Cada um a seu tempo e cada um a partir de uma perspectiva, mas todos essencialmente com os mesmos fatos e conceitos.
Eu particularmente gosto demais da passagem da mulher que sangrava há doze anos e portanto, era posta de lado pela sociedade.
Viu o mestre cercado por milhares de fiéis e disse para si mesma: Se eu apenas tocar na barra da túnica deste moço eu serei curada.
Entrou se esgueirando pela multidão e tocou a barra da túnica do Cristo.
Tão ungido Ele era, que disse a Pedro: Algo saiu de mim!
Fico imaginando além da braveza de Pedro, que esbravejou com Jesus dizendo que uma multidão o estava tocando.
Imagino facilmente toda a energia vital que Ele impôs ao manto transferindo à mulher de tal forma, que energizou o seu corpo inteiro.
Toda a transmutação das células doentes em células novíssimas e viçosas.
Essa é uma crença minha, porém muito possível dado o conhecimento bioquímico que temos hoje.
Casinhas cheias de história postas no chão e sendo substituídas.
Estas substituições também acorrem quando somos nós os substituíveis.
Cabe também a nós nos empenharmos em buscar na sapiência da velhice, argumentos e ações positivas para que possamos ser monitores e mediadores junto à juventude.
Não me esqueço do Belchior que quando jovem escreveu que o Novo sempre vem.
E vem mesmo, com a força física que lhe é peculiar.
Somada essa força à nossa mais velha, o resultado só pode ser uma simbiose frutífera, sendo que os frutos são várias inovações no pensamento de ambos.
Este conceito coletivo é o que me resta de esperança e valorização.
Já escrevi aqui que não compactuo com a história moderna do não julgamento.
Explico.
Não sou a favor da frase: Não me julgue!
É uma frase desnecessária, afinal o palpite talvez seja a maior característica dos humanos.
E se dou palpite, julgo e se julgo é sempre com base nas Minhas crenças.
Sendo assim, tanto faz, porque o julgamento só terá alguma consequência esperada pelo julgador e palpiteiro, se o julgado encarnar que a observação foi pertinente.
Encarnar mesmo, intronizar na carne.
Do contrário será apenas mais uma opinião.
Acredito na Educação e portanto na disseminação dos palpites embasados na ciência e na experiência adquirida com sucesso pela humanidade.
A educação que me fará, ao entrar na nova galeria comercial, discernir se ali ainda existe um espírito azulejado, patinado, amadeirado e doce, deixado pela História das casinhas de outrora
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