Ritmo e poesia

Houvesse eu nascido Gabriel, almejaria ser Pensador, não me contentaria alegre e não disfarçaria a dor.
Nasci pensando mágico, noutro dia professor, buscando encontrar abrigo na luta diária do cantor.
Outra alma sem encaixe trouxe à vida o Chorão, escrevendo sua lida braba, na contramão do vencedor.
Meu espírito não permite que eu esbraveje usando arma, não me deu na língua a farpa e é assim que eu pinto a flor.
Nada de estranho nesta vida abrangente, adoro Pessoa e este mexe a cova da serpente.
Contradições amigas de um ser mais contundente, tem filosofia na pena e se pretende competente.
Há flores no canto do terreno, nada penso pequeno, enquanto há água no tacho, eu vou tomando o sereno.
São flashs, são fatos, ruas, casas e o tato, crianças brincam com telas, os bichos brincam no mato.
Cada palavra é um encanto, nada de enxugar o pranto, tudo de chorar vulcões.
As lavas lavram as pedras, aquelas de todo caminho.
Pelavras líricas e soltas, Drummond não me deixa sozinho.
Nado de braçadas sobre o tema, o lema de tudo é infindo.
Toda calçada é poema, tudo termino sorrindo.
A alegria do meu pobre é bem suave, lutar até não perder o respiro, voar sem manto e sem capa, até o próximo suspiro.
Tudo na vida é dinheiro, nada disso acredito, sou sempre passageiro, um copiloto do dito.
Erros e mais erros, borracha, uma dose de exagero.
Elos mais elos e elos, uma corrente no tempero.
Viver assim as palavras é um dito além do popular.
Nas mãos o poder das clavas, plastico velho pra se lutar.
Aquelas espadas de brinquedo, as espingardas d'água.
Uma infância segredo, marimbondos descem à tábua.
Pra entender esta frase é preciso bem saber.
Tin tim por tim tim eu pulava de um lado, minha irmã pulava do outro.
No centro da tábua uma lata vazia de tinta, gangorra.
Um dos dois deixou de pular e a tábua sorrateira deu de cara com um ninho de marimbondos.
História viva de Jarinu, cidade que hoje é conhecida e agrária.
Vivemos nós esta sina, a vida nunca foi pária.
Nossos rostos inchados nem nos chega à memória.
Não nasci nem Chorão, nem Gabriel, talvez um pouco pensador.
O encantamento vibra nas coisas, vibra em tudo e principalmente nas pessoas.
Vamos arrumando aqui pra seguir vivendo.
E Bem


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