Autômatos móveis
Ontem, ouvi uma propaganda da linha amarela do metrô.
Linha 4.
A locutora dizia que a linha está de cara nova e que os trens são robôs gigantes.
Eles não usam mais condutores.
Tudo automatizado, menos eu.
Estava saindo da academia andando e queria ser atendido por gente quando entrei no mercadinho.
A moça do pão é a mais atenciosa.
As outras são monossilábicas e eu respeito.
Ali também existem caixas automatizados, que não exigem que a gente coloque o item comprado na balança.
Hoje, troquei o mercadinho e me atrevi a usar o caixa de autoatendimento.
Porém eu, o usuário, não notei que neste caixa é necessário que eu coloque cada item na balança, depois de identificado o produto.
Resumindo, dava erro quando eu clicava para pagar o único pão de forma que eu havia comprado.
Um jovem senhor, um pouco mais novo do que eu, me orientou que eu tinha que colocar o pão na balança.
Pronto,
Como num passe de mágica consegui realizar a minha compra.
Como desculpa posso garantir que havia acabado de levantar da cama.
Rio porque o meu Mestre Pai um dia me achou um pouco distraído.
Conduzo a minha vida como um pequeno gigante, cercado por muita gente boa que me anima a seguir firme e forte.
Conduzir é um verbo importante se eu penso em mostrar caminhos menos longos e confusos.
Mostrar circundado pela minha experiência.
Me ocorreu que na minha vida de six seven years nunca precisei procurar emprego.
Ele sempre me encontrou.
Vejo isso como uma bênção.
Em dezembro de 1982 recebi o convite da Artista Teresa Faria para ser Professor da sua Escola de Desenho e Pintura, que ela havia recém inaugurado.
Em dezembro de 1983 fui convidsdo pelo Professor Horácio a ser o Professor de Arte do Colégio que ele e quatro outros professores de São Paulo estavam inaugurando.
Em dezembro de 1987, o Professor Alckimar me fez o mesmo convite para ser o Professor de Arte do seu Colégio em Campinas, todas as quintas-feiras.
E em 1988 comecei como Professor Efetivo na Escola Pública.
Uma condução de vida misteriosa e bela através destes quarenta e três anos de uma profissão que busca conduzir jovens pelo caminho da sensibilidade artística.
Incrível que apenas hoje conheci o trabalho do Artista Conceitual Brasileiro Paulo Bruscky.
Um Artista muito ligado ao meu conceito de artista e ainda mais ligado ao que eu proponho na condução das minhas aulas de Arte nos Colégios.
Ele está fazendo uma exposição numa Galeria em Lisboa e eu pretendo visitá-la no mês de julho.
Conduzir o fazer artístico através da simplicidade e na relação entre materiais aparentemente inúteis.
Nada semelhante a robôs gigantes, mas muito próxima da gigantesca potência da criação humana.
Da correlação entre um envelope usado e uma capa da revista Contigo, uma embalagem de Prestígio e o convite de casamento do melhor amigo, entre outras maravilhosas correlações, assim como Manoel de Barros fez.
Conduzir pela mão e pelo abraço as correntes bioquímicas que permitem que suavizemos as dores e os percalços dos caminhos que fazemos em sintonia conjunta.
Não pense que não sou chegado às novas tecnologias.
Elas sempre precisam de condutores.
O caso é que acredito muito na condução do abraço apertado, que une pessoa com pessoa, num universo terrestre e cósmico, mais amável e muito mais bonito
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