Friaca
Neste dia de muito frio eu sempre penso que o melhor seria ficar dentro de casa, porém nas segundas e nas terças obrigatoriamente levanto às 5h30.
O meu relógio biológico funciona bem para esses dias.
Caminhando com coragem até a academia fiquei observando o dia frio, mas iluminado.
Pra variar observando a montanha de terra e entulho da demolição das casinhas do bairro.
A montanha está bem pequena e as escavadeiras já preparam o buracão para o alicerce.
Fico pensando na quantidade de caminhões que, de madrugada, vão escoando a terra para os aterros.
Mais do que tudo isso, pensei na época em que meu pai ficava muito tempo dentro do quarto.
Quando a gente o levava para algum evento importante ele quase sempre passava mal, diante das inúmeras fontes de luz que o dia traz para os nossos olhos.
A quantidade de luzes e cores em movimento.
Carros, caminhões, ônibus e pessoas em velocidade dois xis.
Ao cruzar um casal que conversava andando pela calçada pude ouvir que o sanduba do BK era mais gostoso.
Claro que fiz relação direta com a outra marca famosa de Fast Food, mas o que me interessou mesmo foi a abreviação.
Que incrível nos dias de hoje abreviarmos tudo para que tudo seja rápido, acelerado.
Tanto que o termo Fast Food já nos leva a esta constatação.
Acho graça no shopping quando leio RCHLO.
Antes era simplesmente a loja Riachuelo.
Rio porque parece aquelas publicações nas redes que demonstram que mesmo com as letras embaralhadas das palavras, ainda assim a gente as lê na ordem correta.
Nosso cérebro multifuncional.
Nosso cérebro que vem sendo constantemente cheio com as luzes e conteúdos das telas.
Os tais vídeos de, no máximo, trinta segundos para que a gente seja encharcado de informações vazias, ou aparentemente engraçadas.
Veja que eu tenho apenas o Face e o Insta.
Abreviei para que eu pudesse rapidamente escrever esta outra frase.
Rio porque nem tinha pensado nisso há segundos atrás.
O setor cultural anda em baixa.
Percebo porque o algoritmo me manda esse conteúdo e ele é bem pequeno.
Inclusive no que se trata de cultura o nível sempre está aquém do necessário, vide as tais das polarizações.
Um mundo Cultural plural obrigatoriamente deve ser diversificado.
Pedalando vem à minha memória a questão do Home Office.
Todos os acontecimentos, incluindo logicamente a pandemia de Covid, vão contribuindo para que a história da humanidade vá se reduzindo, individualizando, ensimesmando.
Como nós, os humanos, somos literalmente conformados, sempre vamos nos conformando com o individualismo em detrimento do coletivo.
Eu pedalando, mas ainda mesmo que digitando, tendo a chance de beber um gole d'água e observar mais pessoas se exercitando.
Hoje o termo foco está na moda e não sem razão.
Está difícil focar em alguém tentando ensinar alguma coisa e as pessoas com hiperfoco, focalizam uma única coisa e vai se distraindo com ela, sem conseguir focar em outra coisa.
A moça escolheu um parágrafo do livro Quarto de despejo que fala sobre o quanto a vida na favela transforma crianças diamantes em crianças de chumbo.
Ela não conseguia abstrair para traduzir esta questão num Objeto Artístico Tridimensional.
Eu disse a ela que não era nada simples, mas seria ainda mais complicado se ela não focasse em cada uma das palavras e seus significados.
Criança, Favela, Diamante, Chumbo.
Faça você este exercício e tente trazer à luz uma versão 3D desta interpretação.
O frio de hoje convida a nos encapotarmos e sairmos de casa para ver as pedras no jardim, os objetos utilitários de madeira, as plantas nas calçadas, os buracos no asfalto, as coisas que dentro de casa já não nos causam estranheza.
O estranho é extra, é estrangeiro e cabe a nós fazermos amizades
O meu relógio biológico funciona bem para esses dias.
Caminhando com coragem até a academia fiquei observando o dia frio, mas iluminado.
Pra variar observando a montanha de terra e entulho da demolição das casinhas do bairro.
A montanha está bem pequena e as escavadeiras já preparam o buracão para o alicerce.
Fico pensando na quantidade de caminhões que, de madrugada, vão escoando a terra para os aterros.
Mais do que tudo isso, pensei na época em que meu pai ficava muito tempo dentro do quarto.
Quando a gente o levava para algum evento importante ele quase sempre passava mal, diante das inúmeras fontes de luz que o dia traz para os nossos olhos.
A quantidade de luzes e cores em movimento.
Carros, caminhões, ônibus e pessoas em velocidade dois xis.
Ao cruzar um casal que conversava andando pela calçada pude ouvir que o sanduba do BK era mais gostoso.
Claro que fiz relação direta com a outra marca famosa de Fast Food, mas o que me interessou mesmo foi a abreviação.
Que incrível nos dias de hoje abreviarmos tudo para que tudo seja rápido, acelerado.
Tanto que o termo Fast Food já nos leva a esta constatação.
Acho graça no shopping quando leio RCHLO.
Antes era simplesmente a loja Riachuelo.
Rio porque parece aquelas publicações nas redes que demonstram que mesmo com as letras embaralhadas das palavras, ainda assim a gente as lê na ordem correta.
Nosso cérebro multifuncional.
Nosso cérebro que vem sendo constantemente cheio com as luzes e conteúdos das telas.
Os tais vídeos de, no máximo, trinta segundos para que a gente seja encharcado de informações vazias, ou aparentemente engraçadas.
Veja que eu tenho apenas o Face e o Insta.
Abreviei para que eu pudesse rapidamente escrever esta outra frase.
Rio porque nem tinha pensado nisso há segundos atrás.
O setor cultural anda em baixa.
Percebo porque o algoritmo me manda esse conteúdo e ele é bem pequeno.
Inclusive no que se trata de cultura o nível sempre está aquém do necessário, vide as tais das polarizações.
Um mundo Cultural plural obrigatoriamente deve ser diversificado.
Pedalando vem à minha memória a questão do Home Office.
Todos os acontecimentos, incluindo logicamente a pandemia de Covid, vão contribuindo para que a história da humanidade vá se reduzindo, individualizando, ensimesmando.
Como nós, os humanos, somos literalmente conformados, sempre vamos nos conformando com o individualismo em detrimento do coletivo.
Eu pedalando, mas ainda mesmo que digitando, tendo a chance de beber um gole d'água e observar mais pessoas se exercitando.
Hoje o termo foco está na moda e não sem razão.
Está difícil focar em alguém tentando ensinar alguma coisa e as pessoas com hiperfoco, focalizam uma única coisa e vai se distraindo com ela, sem conseguir focar em outra coisa.
A moça escolheu um parágrafo do livro Quarto de despejo que fala sobre o quanto a vida na favela transforma crianças diamantes em crianças de chumbo.
Ela não conseguia abstrair para traduzir esta questão num Objeto Artístico Tridimensional.
Eu disse a ela que não era nada simples, mas seria ainda mais complicado se ela não focasse em cada uma das palavras e seus significados.
Criança, Favela, Diamante, Chumbo.
Faça você este exercício e tente trazer à luz uma versão 3D desta interpretação.
O frio de hoje convida a nos encapotarmos e sairmos de casa para ver as pedras no jardim, os objetos utilitários de madeira, as plantas nas calçadas, os buracos no asfalto, as coisas que dentro de casa já não nos causam estranheza.
O estranho é extra, é estrangeiro e cabe a nós fazermos amizades
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