Sensibilidade eterna

Nascer é como uma aventura eterna.
O ar faz dilatar os pulmões outrora acostumados com o líquido interno.
Somos peixes aventureiros.
O susto é tão grande que a gente chora.
Tudo é novo e coletivo.
As coisas são encontradas por olhos que antes só viam coisas bem diferentes das que vivem aqui fora.
A gente não se lembra nem por alto como fizemos nos primeiros momentos aqui fora.
Não lembramos direito das coisas que fizemos quando bem pequenos, a não ser pelas histórias que nós mesmos contamos através das fotos que vemos mais velhos.
Não temos certeza se é fruto da imaginação, ou se é total realidade.
A panela no fogo borbulhando geleia de morango, dona Anna passando roupa na tábua e eu ingerindo melhoral infantil embaixo da mesa, como se fossem balinhas de criança.
Rosinhas as balinhas.
O violão do moço sonhando melodias que se transformaram em canções.
Coração dourado.
Picasso era fascinado pelas touradas e estampou tantas telas e papeis com esta fascinação.
Outro dia ele pegou um celim de bicicleta, prendeu num guidom com solda e pronto.
A cabeça de touro estava e ainda está aqui.
Tantas flores no caminho são passíveis de serem colhidas.
A dimensão do gostar de todas estas coisas mira a satisfação momentânea de prazer.
Este é o gostar destas coisas mitificadas e mistificadas pelo nosso espírito aventureiro de aventurar-se pela mágica e pela magia.
Elas existem e insistem em nos motivar a seguirmos um caminho de folhas e pétalas.
Muitos buracos no asfalto e nas trilhas de terra.
Alguns deles são até feitos pelas raízes de árvores plantadas nas calçadas.
Um acidente natural, onde a natureza mostra a sua força e nos mostra a nossa própria fragilidade.
Somos sensiveis a ela.
A natureza é deveras previsível no que tange às coisas intuitivas no DNA dos vivos irracionais.
Pra nós ela pode vir derrubando tetos de postos de gasolina e divisórias do prédio do Senac.
Um cafezinho sobre a mesa pode despertar vários dialetos e filosofias nada vãs.
Os carboidratos e açúcares, as proteínas e elementos da tabela periódica nos enchem de ternura e graça.
Desaniverários deslimitam os dias e são a maioria da nossa aventura terrestre.
Ventura é mais do que brisa.
É a sorte que pode ser boa, ou má, mas também ela é a escolha que fazemos nesta aventura animada.
Ri muito quando eu ouvi que determinada pessoa tinha um coração peludo.
Compreendi na hora, mas vai que ele também é parecido com uma almofada de pelúcia, travesseiro gostoso?
Enfim, prefiro um coração romântico como o do Vander Lee, sem as mesas de bares.
Sem ser crítica negativa, apenas não nasci com esta característica, este caráter muitas vezes artístico.
Vander me esninou tanto e ainda ensina não estando mais entre nós neste espaço físico.
Aprendemos na arena dos touros espanhois e universais.
Hoje é dia de celebração como se estivéssemos encarando um pano vermelho que nos motiva a avançar.
O pai do Clovis dizia sempre para ele que pra trás só para pegar impulso.
Beleza.
O bonito é assim mesmo, nem sempre é lindo e nem precisa


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