Prosa e poesia

Há tempos ouvi falar que as coisas trazem poesia em si.
Penso que elas trazem poesia, mas somos nós os agentes que extraem delas esta unção.
De modo que nos sensibilizamos diante de tantas coisas e ansiamos por alimentá-las com poética.
Um ventilador, uma cafeteira, um piso esmaltado, uma maçã entre tantas, um feijão no saquinho transparente.
Todas estas coisas nem fazem ideia que possuem poesia em si.
A ideia é nossa.
Houve um tempo no qual os artistas tiravam delas, bonitezas.
Outro tempo, mais próximo do contemporâneo, aconteceu que a boniteza não precisava estar ali impregnada, ou exteriorizada.
Pode ainda haver feiura na poesia.
Como já escrevi aqui várias vezes, eu tenho preferência pela boniteza.
Li rapidamente que uma aluna publicou no Threads, o seguinte:
Oceane-se.
Olha o oceano dando margem à poesia, colocando a gente como algo grandiosa, um vasto espaço de vida e natureza.
Fui dar um google e a única referência que encontrei foi uma página de uma oceanógrafa e educadora cujo perfil é @oceane_se.
Inclusive tive esta ação por exagero, já que o que eu tenho de ideia por aqui e agora, algumas pessoas pelo mundo estão comungando da mesma vibe, da mesma ânsia, do mesmo espírito de aventurar-se pelos encantos das palavras.
E não apenas das palavras, mas das imagens, dos gestos, dos passos coreografados e de múltiplas linguagens, coabitadas em seres sensíveis e pensantes.
Existem cada vez mais pessoas que comungam desta dádiva natural e divina, mental e mágica.
Cada vez mais a frase do Ferreira Gular se faz mais evidente.
A Arte existe porque a vida só não basta.
Este dom deve ser exercitado para que não esmoreça.
Exercitado e externalizado para que muitos extraiam dele entendimentos diversos durante a vida.
Aqueles que insistirem em dizer que não compreendem devem ser perdoados numa instância.
Nas outras devem ser cada vez mais expostos às nossas aventuras artísticas.
Depende de nós extraírmos das coisas, poesia.
Saber que a laranja é uma fruta e relacioná-la com o homem insano que se revela cada vez mais ganancioso.
Ele mesmo se utiliza de laranjas até hoje nos seus negócios de malfeitor.
Laranja madura na beira da estrada, tá bichada Zé, ou tem marimbondo no pé.
Samba bom que alimentou a minha infância cheia de sentido e graça.
Eu tenho plena certeza que o Orange Man pegaria a laranja bichada e venderia para a mãe.
Ele é o marimbondo.
É aquele que deixa o ferrão.
A nós é exigida a força de impacto sensível.
Nossa garra incontida que lança nas vidas uma espécie de Rosa de Hiroshima.
Vinicius sendo mensageiro embaixador da Cultura.
Precisou de um menino violonista fantástico para mover suas palavras através de melodias.
Numa folha qualquer de pata de vaca eu encontro mais três e faço uma colagem Borboleta


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