Casas edifícios

Aqui no bairro as casinhas geminadas vão caindo, uma a uma.
As placas de demolidoras vão se multiplicando.
Estou fazendo um paralelo com as gerações que vão se sucedendo.
As casinhas antigas cedem seus espaços aos grandes edifícios.
Achei graça quando li numa placa os dizeres:
Esta obra é financiada pelo governo estadual para fins sociais.
Como assim?
Ah, os Sociais que exploram o setor imobiliário, construindo estúdios miniaturizados visando lucro lá na frente.
Os edifícios ficam prontos e muitos nem são medianamente habitados.
Isso vai de geração pra geração.
E as casinhas vão caindo e deixando para trás mercadinhos, costureiras, bares e restaurantes.
Já escrevi por aqui que os conflitos de gerações são inevitáveis, assim como afirmou o rapaz latino-americano.
Nossos idolos ainda são os mesmos e as aparências não enganam não.
Você pode até dizer que eu estou por fora, ou então que eu estou inventando, mas é você que ama o passado e que não vê que o Novo sempre vem.
Não acho nada bonita a frase: No meu tempo.
Dá a impressão que o tempo passado é sempre melhor e as coisas aconteciam às mil maravilhas.
Penso que este mundo é assim desde sempre.
A natureza do mais forte contra o mais fraco, porém hoje, nossa consciência pode mostrar variáveis no significado de forte e fraco.
Quando sabemos que é o dinheiro que move as coisas da maldade, também sabemos que ele pode disfarçar-se de uma bondade fragmentada.
Por exemplo os Mc Felizes e as obras de caridade que várias corporações nocivas usam como fachada bonita.
É assim e ponto. É assim e a gente que faça alguma poesia.
Eu gostar de colocar as coisas em prática é um privilégio meu, é da minha consciência e do meu gosto.
Não gosto de ficar parado, esperando.
Falo isso querendo que você entenda que nem todos os da minha geração têm esta característica e sou eu que acho bonito ser assim.
Assim como sei que existem e existiram muitos como eu.
Tenho gostado de transmitir ao vivo este sentimento.
Percebendo mais uma vez que algum dinheiro é necessário para validar a humildade.
Usar e comprar apenas o necessário para poder realizar mais obras necessárias.
Ontem me foi apresentada uma frase sensacional abaixo de algumas fotos de uma exposição artística.
Olho sobre tela.
Nunca uma frase foi tão diretamente ligada às minhas obras desenhísticas.
Olho sobre tela.
Nas minhas composições figurativas os olhos estão no plural.
Talvez seja a expressão de como eu desejo ver, enxergar, observar.
Quando escrevi: No curto espaço que há entre o travesseiro e a nossa cabeça, quis evidenciar que existe um espaço enorme onde os nossos olhares vão além do sonho e do nosso pensamento mágico.
Hoje o fato de pessoas fecharem a porta da casa, irem até o automóvel e voltarem rapidinho para se certificarem que elas fecharam mesmo a porta da casa, recebe o rótulo de Transtorno obsessivo compulsivo.
Porém é apenas um rótulo que não deve prejudicar a vivência cotidiana.
Quando não prejudica, ou seja, quando a pessoa tem total consciência do que está a fazer, é bem possível que ela deixe de fazer.
Vale a sua vontade.
O espaço continua aberto ao mágico.
Coloquei o título de A casa da Razão Mágica no meu site.
Sim, somos a casa, a nossa morada, a morada do espírito que anseia por poesia e boniteza.
A minha casa é geminada


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