Rastros alados

Cara, a melhor notícia do dia é que o bom humor e a extroversão são as melhores coisas para enfrentar um dia, uma semana, um mês, um ano.
O ônibus já havia saído do ponto e eu mesmo assim dei sinal.
O motorista parou e abriu a porta para eu entrar.
A partir daí só gentilezas.
Havia um senhor mais senhor do que eu que sorriu o tempo todo da viagem.
A conversa girou sobre a vida e vida dos motoristas e professores.
Fala dele:
Ninguém quer ser mais motorista de ônibus em São Paulo.
Eu retoquei:
Sabe outra profissão que ninguém mais quer?
A de professor.
Só ativa quem ama.
O maior exemplo da conversa animada foi exatamente quando eu estava para descer.
O motorista me contou que existe um café na Brigadeiro Luís Antônio que tem na entrada, vista da rua, uma placa educativa.
Na placa está escrito:
Um Café, 4 reais.
Um Por favor e um Café, 3 reais.
Um Por favor, um Café e um Obrigado, dois reais.
O motorista fez exatamente o que eu faria.
Foi até o dono do empreendimento e deu-lhe os Parabéns.
Imediatamente o dono disse:
Foi ideia da minha Mulher.
Claro, ideia genial, exatamente no momento em que estou dentro de um trem na estação amarela do metrô e a mocinha do auto-falante diz em alto e bom som:
Março é o mês das Mulheres,da dignidade das mulheres.
É mais do que educação.
É colocar o foco na Pessoa, nas Pessoas.
Todos estamos confusos entre o mundo real e o virtual, as facilidades aparentes dificultando o enfrentamento das situações que esperam de nós soluções adultas.
Devemos proteger as nossas crianças, ensiná-las com afeto, interagir para que agucem sua criatividade.
Hoje eu vejo que além das crianças os adultos também estão carentes de multiálogos, abraços e reconhecimento.
Conhecermos de novo mesmo, reconhecermos.
Muitas pessoas numa sala de aula almejam ser Vistos.
Pessoas que só são invisíveis porque há o descaso, o pensar que não é o caso de nos ocuparmos delas.
São tarefas que fazem que a nossa timidez tome forma de Atividade solidária.
Atividades solidárias são eternizadas como bênçãos pra nós mesmos.
Estar sozinho permite me expressar através da Arte, mas se não houver ninguém fora de mim a coisa toda não faz sentido.
Ela tem sentido, mas sem alguém de fora o sentido não flui, não prolifera e acaba por acabar nele mesmo.
Um desenho guardado numa pasta por anos, hoje pode ser encontrado por alguém e a partir dessa observação ganhar a força de ser universal.
O motorista do busão parou e abriu a porta para que eu entrasse.
A pasta sorriu e me disse:
O que eu guardo pode voar

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