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Incrível como eu gosto de aparecer.
Vou andando e encontro um zelador soprando as folhas da calçada com um daqueles aparelhos de soltam vento.
Já chego nele e vou dizendo:
Imagina a gente ter um desses pra espantarmos pessoas indesejáveis?
Ele sorri e fica interessado.
Eu arremato:
Ainda bem que a gente não tem nenhuma pessoa assim perto da gente.
Ele responde, Graças a Deus!
Eu sigo o meu caminho.
Antes disso eu passo na farmácia para comprar uma vitamina D e descubro que existe uma marca com a dosagem de 3000 U.I.
Só conhecia as dosabens de 2000 e 50000.
Esse foi apenas o estopim para eu começar a contar as minhas histórias e mostrar a foto da minha neta Lisboeta, que faz movimentos Jedai.
Os pais adoram o Starwars.
Lisboeta não é o nome dela, é o adjetivo pátrio dela, já que nasceu e mora em Lisboa.
Ela é Maria, uma Graça, com G maiúsculo.
A moça com a qual eu interagia tem uma filhinha que nasceu com os órgãos em posições invertidas.
Ela está ótima.
Todos nós temos algum tipo de coisa que não faz parte da tal normalidade.
Eu adoro aparecer, entrar em conversas sem ser chamado e não ligar a mínima por ser constrangido.
Não ser constrangedor.
Sei que não devo constranger, mas isso para quem fala muito é um caso para eu ter constante observação.
Eu sempre imagino que essa característica de ser "Entrão" leva os assuntos a ter uma certa graça.
Tenho certeza que esse jeitão me leva a ter um certo sucesso na questão carisma.
Sabendo ter esse tal carisma me faz ter aquele dever semelhante ao do homem-aranha.
Dá-me mais responsabilidade frente a tudo.
Devo acertar bem mais do que errar.
Tenho o dever de me colocar à disposição e fazer o máximo possível para fazer a alegria dos outros, já que a minha está garantida.
É aquele meu egoísmo básico, ao receber em dobro todo bem que ofereço.
Veja o paradoxo.
Quando deixei a farmacêutica eu disse a ela:
Imagina se você tiver dois clientes como eu você vai sair do trabalho só amanhã de manhã.
É claro que até por educação e fidelização do cliente ela respondeu:
Eu acharia ótimo.
É incrível como eu gosto de aparecer.
Faz tempo, ao descrever para uma doutora o que eu estou escrevendo agora ela me colocou a seguinte questão:
Será que eu, na infância, não teria passado por uma situação na qual eu fiquei com algum trauma e agora eu tento resolver com graça toda e qualquer situação envolvendo um problema que os outros tenham?
Sinceramente o que sei é que minha mãe perdeu a visão do olho direito quando me teve no hospital.
Fui tirado de mamãe aos quinze dias de vida e levado para São Paulo.
Depois fui levado de trem para a casa dos meus avós em Regente Feijó.
Só voltei a ver minha mãe depois de dois meses.
Em São Paulo a minha tia muito moça, não sabia que tinha que furar o bico da mamadeira com agulha de costura quente.
Desta forma eu ia mamar e o leite não saía da mamadeira.
Foi uma professora da USP que perguntou para a minha tia:
Você furou o bico?
Dois meses depois estava com a dona Anna em Campinas.
Ela me vestia com um terninho branco, com botinhas ortopédicas também brancas para brincar no Parque Taquaral.
Outro detalhe é que eu ficava sentado sobre uma toalhinha clara sobre a grama do parque.
Já maiorzinho eu esfregava os dedos da mão numa meiazinha de seda.
Hoje eu sei que era para disfarçar a minha ansiedade.
É maravilhoso como eu gosto de aparecer e achar bonito o bem estar da maioria.
Eu não me canso de dizer que sou abençoado e agraciado pela providência Divina.
Tudo de bom me acontece mesmo que também algumas coisas ruins acontecem.
Eu continuo achando graça nas postagens de auto ajuda das redes antissociais já que todas me parecem óbvias.
A velhice ainda me ensina mais.
Viver simples com coisas simples, já que não tenho um problema financeiro grave e continuo trabalhando fazendo o que amo.
Como sou imperfeito ainda tenho muito o que aprender.
Quando a minha neta mais velha era mini criatura, no momento em que a mãe fez um vestidos com massinha para enfeitar a boneca, ela disse:
Que Inkível

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