Curtindo

No passado, peles de animais eram curtidas.
No decorrer do período houve a expressão, curtido no azeite, ou deixar a pimenta no pote de vidro para curtir.
Hoje, a febre são as curtidas nas redes sociais.
Nos anos setenta era uma curtição só.
Enfim, a curtição sempre esteve à flor da pele.
Engajamento, monetização, sininho, likes estão na crista da onda, Bicho.
Bicho.
Eis aí uma gíria da minha juventude que nunca consegui expressar.
Talvez venha daí a minha criação da canção: O Bicho sem pé nem cabeça.
Nela consta a frase: O bicho bom é o bicho homem, ele é quem diz, deixa ele acreditar.
Vamos dar um crédito ao nosso poder de bem-dizer.
Vamos dar um Like, dizer que gostamos de interagir com a bondade, mesmo sabendo das nossas imperfeições.
Assim a nossa caminhada segue em busca de segurança mesmo sabendo que a dualidade, liberdade e segurança são imiscíveis.
Ou há liberdade, ou há segurança.
Pensemos nisso.
Parece que a segurança oprime a criação.
Oprime o nosso poder de libertar-mo-nos da mesmice e do lugar comum.
Nós damos "coraçõeszinhos" para qualquer manifestação na rede?
A própria liberdade de expressão muitas vezes é usada para propagar mentiras e se misturar com o crime.
O próprio nome Rede, já não nos prende como cardumes humanos?
E a teia?
Já não é gosmenta demais e nos prende, grudados com os olhos e mentes nas nossas telas?
E a maldade?
Com o advento das redes antissociais a maldade vem abrindo seus tentáculos e transparecendo cada vez mais cedo, ou seja, um grupo maior de crianças está liberando suas inseguranças com mensagens de ódio e maledicências, fazendo parecer que é um caminho sem volta.
Ainda resistem os competentes em discernir.
É mais um caminho e eu curto caminhar, imaginando pequenas soluções, como as encontradas pelos cineastas que se expressam através de curtas metragens.
Até isso não é mais assim, já que os filmes não são mais feitos com rolos.
Eu não enrolo quando o tema é curtição.
Desse jeito sou curto e grosso.
Vou agir agora, mostrar minha boa educação já, agradecer sempre e acreditar que a diferença habita em nossas teias e nas nossas redes de cuidado.
O caminho não é curto, porém curtimos enxergar bem longe


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