Polos

Dois moços, sendo um mais experiente em mudanças.
Ele está ensinando os procedimentos ao ainda mais moço.
Pegaram uma geladeira num endereço, levaram para outro.
Nesse outro pegaram outra geladeira.
Puseram a primeira no lugar e levaram a que estava em casa para outro endereço.
Ocorreu tudo bem e eu dei uma ajudazinha, abrindo os portões da garagem, segurando a porta do elevador e até inclinando a geladeira prateada.
Uma mâe zelosa acaba de passar por mim com a filha de uns dez anos.
Ela ensinou para a filha que é sempre bom que ela fique ao lado dela, mas sempre do lado de dentro da calçada.
Lembrei quando a minha mãe me ensinou que todas as palavras proparoxítonas levam acento.
Sempre falo da professora Mazé da escola Getúlio Vargas que ao entregar a prova de física bradou para a classe:
O único Nove da classe foi para o Cury, porque ele usou o raciocínio.
Rio porque naquela época eu tinha uma vaga ideia da relação com a razão.
Ela me ensinou muito.
Na segunda passada eu quase tive um troço.
Um aluno genial chamado João Felipe me falou que a avó dele ensinava matemática para ele.
Eu perguntei: Quem é a sua avó?
A Mazé.
O impressionante é que vinha pra cá pensando nas conexões maravilhosas.
Inclusive na segunda,
o João fez um trabalho incrível usando a palavra Natureza, relacionando com o Capítulo da Eco Arte.
Quando eu ensinei os jovens a fazer uma peça que seria usada para confeccionar o cubo que iria enfeitar a sala de aula, uma aluna de ascendência japonesa me ensinou uma forma mais simples de dobrar o papel que uso até hoje.
Os dois resultados juntam seis peças para dar origem a um cubo, mas a forma que ela sabia é mais simples para os alunos.
Simplicidade é tudo.
Hoje, na primeira aula do ano eu junto todas as peças dos jovens para fazer um mobile de sala que permanece com a Classe pelo ano inteiro.
O conceito é que cada indivíduo colabora para a realização do Todo.
Meu mega amigo Zé Cláudio me ensinou a ouvir os clássicos do Rock Progressivo e os do Rock Paulera, hoje Heavy Metal.
Todos esses movimentos estavam nascendo no início dos anos 70.
Aprendi com a minha Nona que as senhoras com cabelos brancos deveriam passar Rinsagem para remover resíduos e fios amarelados.
Eu aprendi que até hoje os cabelos ficam azulados.
Aprendi que nunca se deve lavar com água os pincéis que foram usados com tinta a óleo, ou seja, na escola aprendi que óleo é água são líquidos não miscíveis.
Que não se misturam, falando o português claro.
E o método de separação de mistura que eu mais gosto é o da decantação, mas o que eu mais uso é a filtração mesmo.
Eita cafezinho bom.
Nessa vida de simplicidade aprendi por experiência própria que o café solúvel granulado não é tão rentável como o do pó fininho da empresa Três corações.
Eita cafezinho bom.
Sigo aprendendo quase como na educação peripatética.
Só que nela o discípulo e o mestre aprendiam andando e vendo as coisas naturais e artificiais que apareciam no caminho.
Agora sou eu e o caminho.
Sou nada.
Nado eu e as pessoas que se conectam na caminhada.
Um oceano de possibilidades.
Antes que eu me esqueça, Peripatética é uma palavra proparoxítona

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