Umidade
Faz frio.
Uma senhorinha baixinha e elétrica, que já não está mais entre nós, deu o ar da sua graça a partir de uma história para mim contada.
Ela subia a rua Augusta quando foi abordada por um homem dizendo a ela que: Era uma Assalto!
Ela rapidamente e sem estancar o passo respondeu a ele rispidamente:
Não, agora não tenho tempo, estou indo à minha dentista!
Sensacional naquilo que o Sensacional tem das melhores Sensações.
A sensação de imaginar a cara do assaltante.
A sensação da dentista que faz um trabalho exemplar, resinando e cobrindo os espaços abertos que deixam expostas as raízes de alguns dos meus dentes.
A sensação de perceber as ferramentas usadas com esmero e delicadeza que a auxiliam na tarefa da modelagem.
Gostaria que alguém me auxiliasse na tarefa de entender porque demolem várias casas para construir um prédio e depois de cercado o terreno com divisórias interessantes, não constroem nada e ainda tiram tudo o que haviam enfeitado ao redor.
Falo sobre as dezenas de folhagens bonitas colocadas na frente das divisórias.
Agora estão colocando estacas verticais para ser, o que eu calculo, uma nova cerca para o empreendimento.
Empreender esforços para valorizar quem escolhe a música como fonte de diversão e renda, requer sensibilidade e fantasia.
Não de repente a pessoa faz sucesso e continua na batalha diária de fortalecer sua escolha.
A Arte traz consigo essa sina que toca a maioria das pessoas, que dizem que dessa Coisa não sairá dinheiro algum.
Para quem veio pra cá com essa sina é impossível não fazer, não realizar a Obra, não ficar obcecado pelos processos e pelos resultados.
Fui mais uma vez abençoado com a necessidade de poder expressar-me com intuição através da música, do desenho e da literatura.
É uma graça e sou grato.
São vinte e quatro horas com todas as atividades diárias sendo monitoradas por essa intuição.
Outro dia a equipe gestora almoçava e eu me sentei com o grupo.
Disse a eles que eu havia achado muito linda a decoração do prato da salada e perguntei pra mocinha se podia pegar a rosa feita com uma tira de cenoura.
Ele me disse que sim e que era um prazer fazer da comida algo que pudesse ser celebrado.
Celebrei com foto e com as palavras contadas ao grupo, realçando a beleza do detalhe.
Uma semana se passou, estou sentado no sofá da sala e recebo uma mensagem cujo conteúdo era apenas uma foto.
Apenas?
O diretor estava almoçando e mandou a foto do prato dele com a rosa alaranjada.
O laranja é considerado a cor da positividade, tanto que vários livros de Yoga têm as páginas cor de laranja.
Uma semana e aquele detalhe ficou dançando na cabeça do chefe, interligado a tantas outras histórias que ele foi vivendo, culminando com a ação contundente de acionar a câmera do celular, registrar e mandar a mensagem.
A mensagem que compartilho é aquela que semeia beleza, filosofia, Lírica, poética e tudo de bom que podemos tirar das pequenas coisas.
Aquelas que o Manoel já nos anunciou em forma de insignificâncias.
Fazer Arte é inútil até que alguém aprecie e resolva utilizá-la.
Antes de chegar aqui, em frente ao ponto de ônibus, ouvi aquele toque característico de quem recebe mensagem no celular.
Tim Tum Tim Tim.
Conseguiu ouvir aí o toque?
Foi o que aconteceu hoje de manhã quando tentei reproduzir o sonho que havia tido e não consegui, acho que pelo surreal gerado pelo encadeamento que criava uma Moral da História.
Era algo como uma mulher protagonista ter levado um tiro no ombro, já que o atirador Justiceiro,
ao invés de matá-la, queria dar-lhe uma chance pra que mudasse seu comportamento a partir dali.
Rio porque até em sonho eu vivo filmes de suspense e ação.
Que moral pode haver em justiceiros, já que o homem de Nazaré e Buda, por exemplo, pregaram o contrário da justiça com as próprias mãos?
Coisas de sonhos inenarráveis.
Incluindo, é claro, esse de um mundo desprovido de fome, maldade e violência.
Isso é um Assalto, leitora, ou leitor!
É nesse momento que eu ouço você dizendo:
Não, não, não, estou com pressa.
Estou indo pegar o meu dálmata no veterinário
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