SBP
Entro no busão e penso em fechar os olhos e ficar só assim.
Pensando.
Afinal puxar um ronco não consigo mesmo.
Mal o ônibus dá a partida e começo a digitar um texto.
Pensei em falar sobre aracnídeos, já que um aluno não sabia que as aranhas têm oito pernas e os insetos seis.
Duas a mais para compor seu corpo de aranha.
Para grandes poderes, grandes responsabilidades.
Sem essa aranha, sem essa aranha, sem essa aranha, nem a assanha arranha o carro.
O tal assanhar aí é ficar raivoso, irritado.
Agora imagine alguém tão irritado a ponto de golpear com um taco de golfe um carro novinho.
Vi essa cena numa série que envolve psicólogo e advogados. Quando uma moça japonesa é demitida pelo patrão e aparenta estar super calma, um dos personagens fala para o outro:
Caramba ela está Super tranquila mesmo sabendo da notícia do desemprego injusto.
A partir daí ela tira do porta-malas do seu carro um Taco Gigante e aí foi pancada atrás de pancada no automóvel ex brilhante.
Na letra do Caetano também tem o verso posterior que diz que nem o sarro arranha a Espanha.
Não arranha porque é piso de Gaudi, Salvador Dali, Pablo Picasso, Juan Miró, Almodovar, Penélope Cruz, Javier Bardem, Júlio Iglesias, Antônio Banderas, entre tantos outros que sarreiam de si mesmos.
Qualidade muito importante nos artistas, sem arranhar a Espanha.
A dona aranha subiu pelas paredes veio a chuva forte e a derrubou.
Esse derrubar não significa a morte da dita cuja, mas a sua capacidade de encontrar forças para, mesmo molhada, seguir em frente.
E a meninada feliz cantava:
Homem aranha, Homem aranha, nunca bate, só apanha.
Dizem que a aranha perigosa é a armadeira e não aquela peluda e grande, de nome caranguejeira.
Será que ela tem esse nome por que ela anda para trás, feito caranguejo?
E a armadeira?
Sempre está armada para o bote e para a injeção do veneno.
Menina veneno você tem jeito sereno de ser.
Rio porque tenho mais nojo de ratos do que de aranhas.
Tive uma aluna querida que ficava em pânico total com borboletas, mesmo sendo grande lutadora de Taekuendo.
Essas coisas vêm de traumas incontroláveis.
Eu tinha muito medo de altura. Depois que precisei pendurar tecidos no topo de um Ginásio de esportes, usando uma escada gigante, esse medo se arrefeceu.
Não posso dizer que faria aquela cena do Indiana Jones, na qual ele joga areia no penhasco para fazer aparecer aquele corredor, antes invisível, para que ele pudesse atravessar e chegar até a sala do Santo Graal.
Aí é muuuuita altura para um taurino pé no chão e teimoso.
Penso que aranhas tecem suas redes com seus cuspes, de tal maneira que qualquer inseto com suas seis pernas fique preso nela e acabe virando alimento para a aracnídea.
Inclusive no último filme do Darin, que versa sobre ficção científica, os Bichões alienígenas fazem um casulo de teias que envolvem os corpos mortos, jogados pelas ruas de Buenos Aires.
Preciso pesquisar se os bichões têm oito pernas, acho que não.
Parece que são seis contando com as duas garras frontais que lhes impulsiona os movimentos.
Uma das letras mais espetaculares do Vercilo é exatamente a do Homem Aranha.
Esse Aranha do Vercilo é o homem comum que avança pela vida da cidade grande, escalando prédios, passando por antenas parabólicas e salvando a família com trabalho duro.
Há tempo joguei fora um sofá velho que era ninho de baratas.
Esse inseto asqueroso e nojento, mas que ainda consigo chinelar.
Faz tempo que os cientistas dizem que numa guerra nuclear elas sobreviveriam, tamanha a sua resistência nojenta e asquerosa.
A ranha em Portugal é aquela pessoa chata, que rosna, que é entrona, fala pelos cotovelos e às vezes deixa algumas pessoas desconfortáveis.
Eu.
Esse papo seu já está de manhã.
Berro pelo aterro, pelo desterro.
Berro pelo seu erro.
Não.
Berro pelo enterro de aranhas e baratas.
Como posso sair do mercado achando que as coisas estavam BARATAS?
Você sabia que Aranha também é um material de desenho?
Normógrafo aranha.
Ainda é usando para desenhar letras em papel vegetal, mas considero obsoleto.
Insetos e aracnídeos continuam mais modernos do que nunca.
Uma modernidade que pode invadir o nosso setor privado.
E invadem.
A nós cabe a coragem e a desenvoltura de oferecer a esses seres um lado lírico, que seja mais do que um filme de terror.
Xô
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