Recepção

Fui falar o número do meu RG na recepção de um prédio comercial.
Disse os sete primeiros números e depois disse: traço seis.
Pus-me a pensar que hoje o pessoal diz: Dígito.
A palavra e o sinal.
Código e decodificação.
Sempre fui fascinado por isso.
Conhecer de alguma forma o código da linguagem para que quando receber uma expressão do outro, eu possa decodificá-la, decifrá-la, compreendendo a intenção.
Como isso já havia acontecido na recepção na semana passada, fiz de propósito.
Disse os sete primeiros números e fiquei esperando.
O recepcionista perguntou:
Dígito?
Seis, eu respondi.
Nesse caso tanto faz, Dígito ou Traço.
Tanto que o que viesse o recepcionista traçaria.
Falando em RG, nunca me esqueço quando na farmácia a mocinha pediu que eu falasse o número do meu documento.
Eu disse e ela ficou esperando o restante do número.
Rio porque os senhores de idade quase não têm senso de humor.
Hoje os RGs têm muitos números além dos meus sete.
O meu é o tal RG baixo, que indica uma certa idade, Avançada.
Rio novamente porque o meu senso de humor é auto-ácido.
Registro Geral é a decodificação da abreviação.
Tornar mais Breve o Palavrão
RG.
Nesse texto não coloquei os pontos depois das letras, o que seria correto, mas hoje estou meio rebelde.
Percebo na observação das produções de texto da juventude que a pontuação está desaparecendo.
Quando digo isso penso também em como seria a minha reforma ortográfica.
Seria sonora, fonética.
Esse com som de Zê, seria substituído pelo Zê.
Não Zé, porque seria idolatria, afinal sou José.
Rio novamente porque gostaria que fosse mais simples.
O Asa de hoje se tornaria Aza.
Transeunte seria Tranzeunte.
Pra dar mais um exemplo, os dois esses seriam modificados pelo cedilha.
Adoro essa palavra, cedilha.
Adoro um pouco menos que Guatemalteca, mas enfatizo que Assado seria Açado, por exemplo.
No Caça palavra o Amassado seria Amaçado.
Você pode imaginar as outras modificações.
Meu código de conduta se baseia no bem estar do outro, embora eu faça isso porque me deixa muito feliz por tabela.
Acho bonito.
Eu também tenho que fazer aquilo que sou obrigado.
Não gosto mas faço.
Talvez seja por isso que sempre agradeço o bem que me fazem.
Obrigado, sem obrigação.
Perdoem a minha confusão, mas tenho certeza que você já me decodificou.
Minha mãe sempre dizia que a minha tia Lina era Doutora na Matéria.
Também é o caso da minha dentista, que acima de tudo é profissionalíssima e restauradora de sorrisos.
Esse doutorado em sorrisos é fundamental para exercermos nosso ofício.
No caso da Lina o doutorado foi feito na Universidade de São Paulo e versava sobre alguma questão sobre um peixe específico.
Passou um bom tempo em pesquisas de campo, no mar, mirando embarcações e cardumes.
Entramos em campo para fazermos o nosso melhor e cada derrota nos faz repensar nossas ações, onde podemos melhorar e na possibilidade de treinarmos mais e mais.
Esse parágrafo é dedicado aos jogadores de futebol, usando camisas de qualquer cor.
Restaurações são muito importantes quando se trata de coisas com cargas emocionais muito fortes.
Os professores recepcionam as pessoas mais jovens todos os dias em todas as classes por onde caminham.
No ano passado ganhei um copo com a inscrição: Professores ensinam, os melhores inspiram.
Esse copo me inspira até hoje, tamanha a delicadeza e a gentileza do gesto.
Na recepção do mercado o moço e a moça usam coletes sobre a camiseta onde está impressa a frase:
Posso ajudar?

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