Cadência

O exercício de escrever uma palavra depois da outra é um outro exercício além da remada.
Remando constantemente até onde consta a superfície da água.
Não qualquer água, mas a salgada de um mar de praia grande, além do próprio nome.
A praia onde achamos conchinhas e pequenos siris.
Uma pena dos animaizinhos cozidos ainda vivos.
Um calor de cinquenta graus e nem sabemos quantos mortos houve nas construções da última copa no Catar.
Vai te catar!
Vou me catar pensando na copa de casa que se funde com a sala e seus dois sofás rotos e mal trapilhos.
Adoro-os.
Meu pai já teve a cadeira do papai e eu quebrei duas cadeiras de balanço de palhinha fazendo os meus dois filhos dormirem.
O sono dos justos.
Justo eles que tanto trabalham para que os outros aprendam e compreendam o valor do trabalho histórico e artístico.
Trabalho para que a maioria entenda que a Arte está em toda parte.
Em parte por talento, em parte por distração, em outra parte por terapia e em mais outra por ocupação.
Ocupar um copo com água requer que o ar que havia nele seja substituído.
Acho bacana quando se coloca uma mangueira no tanque de combustível, dá-se uma sopradinha e a gasolina vem descendo e enche uma vasilha.
Antigamente o nome da garrafa era vasilhame.
Trazíamos o vasilhame vazio e o moço entregava cheio.
Estou cheio de ouvir falar sobre a importância da educação e os poderosos não fazerem nada para dar-lhe a devida importância.
Importar é trazer pra dentro.
Trazer para dentro a graça e a ação de graças.
É de graça que as nossas ações adquirirem um real significado.
Real como a moeda que tem cara e coroa.
A minha cara é de coroa, assim como há uma coroa dourada impressa na medalhinha que trago no peito.
Nunca no peito trago cigarro.
Nem no peito, nem nos bolsos.
A bolsa de couro eu lavava e colocava pra secar no sol.
Envelhecer a bolsa era preciso para ficar descolado.
Hoje é fácil colar alguma coisa, difícil é descolar, rasga tudo.
Tudo é a quantidade máxima de tudo o que a gente produz, mesmo que o artista insista em tudos.
Insistir nessa caso é Obra prima.
A obra primeira, aquela que faz mais sentido.
O sentido pede competência na hora de observar, de analisar e fractar.
Os pedacinhos das peças do quebra cabeça devem ser organizados a partir das bordas, normalmente brancas.
Peças brancas e pretas no tabuleiro da vida que não requer que um ganhe e o outro perca.
Um jogo de igual para igual, mas não é assim que o nosso sistema montou as regras.
Vale para pouquíssimos, as regras.
Também muito se falou sobre as regras das mulheres e essas continuam tendo três ou quatro turnos de trabalho.
Eu gosto muito de lavar as louças e panelas, mas não gosto de secar.
Essa tarefa entrego para Nossa Senhora, que é essa mulher mais sensacional.
Naquilo que o Sensacional tem das melhores Sensações.
Uma mulher que move nossas sensações e deixa as ações sob nossa responsabilidade.
Essa de secar já passei para o secador de plástico, ou meltal prateado pela indústria.
A indústria fonográfica está em polvorosa diante de tanto streaming.
A Arte passa pela filosofia do fazer.
Frase que parece incoerente, mas não é.
Fazer é o mote da Arte atual, o resto é mercado.
Os artistas têm que estar à vista e o prazo é eterno já que a eternidade se dá pelo passar de geração para geração.
Gerar, criar, apresentar o que antes ninguém tinha visto, sem julgamentos de valor.
O valor é o fazer e nesse entretanto, todo fazer merece respeito.
É um exercício constante que não é possível sair da cabeça, seja em lembrança, ou memória.
Ações contundentes requer percepção e reflexão.
Três séries de vinte flexões.
Cá estou eu tentando colocar uma palavra depois da outra na busca de algum sentido.
O sentido seu só é você quem faz.
Não estando disposto, dispute.
Entre em atrito com você mesmo e estaremos conversados como sempre.
Nem tudo o que perece parece estar morto.
Você vê a coisa e logo a sua memória é ativada em direção à uma lembrança da tal coisa.
E aí a coisa ressurge, viva.
Um Viva para todos nós que ainda acreditamos que o Amor move montanhas

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