Agora foi assim

Desta vez foi no guichê de passagem em Sorocaba.
Eu já estou na minha poltrona segurando uma lembrancinha que eu fiz, manufaturada.
Eu já estava com ela na ocasião da fabulosa história que a atendente com sua simpatia me descreveu.
O que a inspirou foi justamente a lembrancinha que mostrei pela transparência do vidro.
Eu fiz a pequena peça usando dois galhinhos da nossa árvore crescida no vaso.
Além dos pequenos galhos, usei duas pedras que pairavam sobre a terra vermelha e úmida.
Uma delas é escura e a outra branca.
A branca dá suporte para toda a composição.
Para completar eu fiz uma escadinha com palitos de fósforos sem as cabeças vermelhas.
A lembrancinha é a lembrançona da árvore que encontramos numa rua em São Paulo e cuidamos, primeiro na nossa sala e depois na nossa área de serviço, porém o tempo foi severo e ela secou.
Não teve jeito.
Fizemos de tudo.
Trocamos a terra, fizemos filtros e nada de sobrevivência.
Hoje ela vive na lembrança e na lembrancinha.
A moça do Cometa viu e logo a memória a levou ao conto.
Ela me revelou que o seu sogro havia plantado uma jabuticabeira no fundo da casa deles.
Com o tempo o sogro apresentou um problema cardíaco.
Um lado do coração funcionava e o outro não.
Não de repente, a árvore deu muitos frutos de um lado e nenhum fruto do outro.
O lado sem frutos foi secando e o outro ficou ainda mais viçoso. Robusto.
Num dia, porém, houve uma tempestade com fortes ventos e um raio rachou a jabuticabeira no meio.
Duas semanas depois o sogro nos deixou com toda a poesia que há nos encantos e toda esperança que há nos poemas.
Agora é assim.
Eu creio tanto e mais tanto, que na antítese de Midas, tudo o que me toda vira ouro na minha existência.
Tenho certeza que é por isso que compartilho as frases e versos e as pessoas compartilham comigo.
Tal qual a frase que ouvi escrita ontem à tarde nessa tela celular:
É quase inacreditável!
E esse conjunto de três palavras versou sobre um conjunto de lembranças que trago no meu carro e fotografei.
Além de qualquer foto, daqui a pouco a nossa lembrancinha descansará perto do nosso beijo, que vai muito além da madeira que o guarda

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